Crise financeira também chega ao Super Bowl

Empresas deixam de anunciar no intervalo da final da NFL; preço, apesar disso, aumenta

EFE

27 de janeiro de 2009 | 14h01

Se o fim de semana do Super Bowl de 2008 rendeu mais de US$ 400 milhões à cidade de Phoenix, não se espera o mesmo em Tampa, palco do confronto deste ano entre Arizona Cardinals e Pittsburgh Steelers, às 21h de Brasília do próximo domingo.Além de reunir duas equipes que não estão entre as mais populares do país em termos de audiência nacional, o jogo deste ano não será marcado pelas loucuras de outras edições, quando pessoas chegavam a pagar até US$ 15 mil por um ingresso com cambistas.A recessão também deve afetar o extenso calendário de festas antes, durante e depois da partida, algo tradicional durante a semana da grande final da NFL (Liga de Futebol Americano).Alguns ausentes este ano são a firma automotiva General Motors, que nem anúncio terá durante a transmissão, e as revistas "Playboy" e "Sports Illustrated", que costumavam dar festas particulares. As autoridades de Tampa são conscientes desta realidade e sabem que não terão receitas milionárias, mas esperam entradas substanciais nos cofres.O sentimento generalizado é de que os turistas virão não só para assistir ao jogo, mas desfrutar das grandes comodidades e diversões turísticas da cidade, aproveitando o bom clima do estado da Flórida.A queda não se resume apenas ao dinheiro em circulação: há menos demanda por hotéis e até mesmo no número de jornalistas credenciados para o evento, devido à grave crise que afeta o setor.Em campo, a decisão não se compara ao confronto de 2008, em que o New York Giants surpreendeu o New England Patriots, que vinha de uma série de 18 vitórias consecutivas.Os mercados de audiência, televisão e poder econômico das cidades de Phoenix e Pittsburgh são fracos em relação aos do ano passado, somando-se a isso o fato de Cardinals e Steelers não estarem entre os favoritos do início da temporada.Diretores da NFL sabem das mudanças geradas pela crise. Mesmo assim, houve um aumento no valor a ser pago pelos anúncios de publicidade mostrados pela rede de televisão "NBC", detentora dos direitos de transmissão da partida.De acordo com dados da revista "Forbes", especializada em economia, o custo de um anúncio de 30 segundos durante o Super Bowl custará US$ 3 milhões - 11% a mais em relação ao ano passado. E há quem gaste esta quantia: cervejarias como a Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser, já gastou US$ 115 milhões nas cinco edições anteriores da grande final do futebol americano e deve comprar pelo menos 10 anúncios para o jogo do próximo domingo, para um público estimado entre 80 e 90 milhões de telespectadores.A partida atrai não apenas os amantes deste tradicional esporte americano, mas também aqueles que ligam apenas para ver o show do intervalo, famoso pelas estrelas que reúne, e os que assistem por causa dos comerciais, que costumam ser bastante criativos. Este ano, a música estará a cargo de Bruce Springsteen e the E Street Band, seguindo a tendência de escalar veteranos da música para tocar na maior festa esportiva do ano nos Estados Unidos. A organização decidiu por isso desde 2004, quando Janet Jackson ficou com um dos seios à mostra ao final de sua apresentação com Justin Timberlake.Springsteen será o quinto veterano a passar pelo palco do Super Bowl, em uma lista que já contou com Paul McCartney, Rolling Stones e Prince. A NFL sabe que a escolha deste ano trará mais alguns pontos de audiência - tão importantes em tempos de crise.

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