Stringer/Efe
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Crise líbia obriga Fifa a transferir competição

Com os protestos contra Kadafi, o Campeonato Africano Sub-20 deverá ser disputado em Gana, Nigéria ou África do Sul

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

Neste fim de semana não haverá futebol no Estádio Hugo Chavez. Mas não serão os moradores de Caracas que ficarão sem o esporte. O estádio dedicado ao polêmico presidente da Venezuela fica em Benghazi, cidade que é um dos centros dos protestos na Líbia e onde já morreram centenas de manifestantes.

O estádio se transformou no símbolo da aproximação entre a Líbia e a Venezuela, país que em pleno massacre realizado pelas forças do governo árabe tem sido um dos raros a declarar apoio a Kadafi.

Além de cancelar a rodada do fim de semana, a crise política na Líbia obrigará a Fifa a transferir o Campeonato Africano sub-20 para outro país da região, ainda não determinado. O torneio ocorreria em março e seria um dos primeiros a ser organizado pelos líbios.

Gana, Nigéria e a própria África do Sul já se colocaram à disposição para ser sede do evento. "Vamos sentar e tentar resolver a questão. Enquanto isso, espero ver a paz não apenas na Líbia, mas em todo o continente", afirmou o presidente da Confederação Africana de Futebol, o camaronês Issa Hayatou.

A meta de Kadafi era mostrar aos países da região que Trípoli reúne condições de receber eventos maiores no futuro. O líder líbio chegou a apresentar a candidatura de seu país para ser sede da Copa de 2010. Mas, por rejeitar a entrada de Israel, foi eliminado. Desta vez, o evento estava sendo organizado por um dos filhos de Kadafi e classificaria quatro seleções para o Mundial Sub-20 na Colômbia, em julho.

Um dos estádios que seria usado no Campeonato Africano seria justamente o dedicado a Hugo Chavez. Modesto, construído em 2009, com capacidade para 11 mil pessoas, ganhou o nome do venezuelano por conta da amizade entre Chavez e Kadafi. Ontem mesmo, o líder venezuelano declarou seu apoio ao líbio, isolado pela comunidade internacional. Chavez já chegou a declarar que Kadafi era o "Simon Bolivar dos árabes".

Já parte dos líbios defende que a honraria a Chavez representa "a apreciação a seu programa revolucionário e espírito humanista". Em 2004, o líder líbio concedeu ao presidente da Venezuela o Prêmio Kadafi de Direitos Humanos. Curiosamente, a Líbia é tida na comunidade internacional como uma nação onde os direitos humanos são menos observados.

Outra guerra. Pela segunda vez seguida a Fifa adiou um jogo da seleção de futebol do Iêmen. O pequeno país da península arábica é mais um que vive protestos internos, que exigem a saída do líder Ali Abdullah Saleh. Agora, o Iêmen irá enfrentar Cingapura em campo neutro no confronto válido pelo Pré-Olímpico asiático. A intenção da Fifa é garantir que o jogo seja disputado em um país neutro para garantir "um ambiente totalmente seguro".

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