Crise no Flu opõe clube e patrocinador

Vice-presidente reclama da interferência do presidente da Unimed

Bruno Lousada e Sílvio Barsetti, RIO, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

A ameaça de rebaixamento é o resultado de uma série de erros cometidos ao longo dos últimos anos no Fluminense. A penúltima posição no Campeonato Brasileiro é reflexo direto de administrações turbulentas, contratações malfeitas e uma relação tensa e desgastada entre a direção do clube e sua principal patrocinadora, a Unimed. Entre os dirigentes tricolores, há quem atribua parcela importante da crise à ingerência da empresa que banca a maior parte do futebol do Fluminense."Patrocinador é para colocar dinheiro no clube e a gente vender a imagem dele. Não é para mandar no futebol, como o Celso Barros (presidente da Unimed-Rio) manda", afirmou o vice-presidente geral do Tricolor, José de Souza, um dos que conseguiram fechar o patrocínio com a empresa de saúde. Por telefone, Celso Barros se limitou a dizer que a reportagem deveria "procurar o presidente (Roberto Horcades), o gerente (Gustavo Mendes) ou o coordenador (Branco)" para comentar o assunto.De acordo com Souza, a dívida do clube passou de R$ 250 milhões para R$ 320 milhões em apenas quatro anos. O vice-presidente, hoje adversário político do presidente, deu o tom do racha existente também na diretoria do Fluminense. "Como administrador, o Horcades é um zero à esquerda."À noite, por e-mail, Horcades rebateu o vice. "Não bastassem os 19 adversários do Campeonato Brasileiro, o Fluminense agora tem mais um dentro de sua própria casa." Horcades também defendeu a parceria entre Fluminense e Unimed. "É a mais duradoura do futebol brasileiro. É bom esclarecer que toda e qualquer contratação é feita pelo clube. Trocamos ideias com o patrocinador, mas a palavra final é sempre do Fluminense", disse.Em 19º lugar no Brasileiro, o Fluminense tem de conviver com outros problemas, associados à gestão do futebol. Ainda segundo José de Souza, os salários dos jogadores contratados pela Unimed estão em dia. Já os pagos pelo clube sofrem atraso. A empresa banca R$ 1,5 milhão da folha salarial da equipe e ao Fluminense cabe o restante: R$ 1 milhão por mês.Unimed e Fluminense firmaram o primeiro contrato em 1999, quando o time disputava a Terceira Divisão do Brasileiro. Desde então, o acordo foi renovado mais duas vezes. O que está em vigência será encerrado no fim deste ano. Com o bloqueio de contas do clube por causa de ações trabalhistas, a Unimed mudou a estratégia. Deixou de pagar ao Fluminense e "assumiu" as despesas de alguns atletas. Chegou a levar o atacante Romário para as Laranjeiras.A parceria levou o clube à conquista da Copa do Brasil de 2007 e à disputa da final da Libertadores de 2008. Mas começou a se desgastar nos últimos meses. As divergências ficaram expostas com a demissão do técnico Carlos Alberto Parreira em julho. Roberto Horcades queria a permanência dele. Prevaleceu a "voz" da patrocinadora. A volta de Renato Gaúcho também sofria resistência na diretoria tricolor. Mas isso não adiantou. "O Fluminense hoje é um clube dividido", disse Souza.

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