Crise provoca troca de comando na segurança da Copa

O delegado da Polícia Federal Vadinho Jacinto Caetano, chefe da Secretaria Extraordinária de Segurança de Grandes Eventos (Sesge), confirmou neste sábado sua renúncia em meio a uma crise e disse que a decisão é irreversível. "Meu pedido de exoneração é definitivo", afirmou, sem dar detalhes de sua saída.

FÁBIO FABRINI, Agência Estado

27 de abril de 2013 | 14h25

Caetano comunicou seu afastamento do cargo na quinta-feira ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, após uma ríspida discussão, na véspera, com o chefe do Estado Maior do Conjunto das Forças Armadas, general Carlos José De Nardi, que coordena ações dos órgãos de Defesa para a segurança na Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016. O bate-boca ocorreu em reunião com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, na qual seriam apresentados projetos dos dois setores.

A PF estaria insatisfeita com o papel privilegiado dado pela presidente Dilma Rousseff aos militares na área e uma suposta inclinação da ministra da Casa Civil em favor das posições do general e sua equipe. "Qual é o problema da Sesge desta vez?", teria perguntado Gleisi na reunião, segundo fontes que participaram do encontro.

O clima azedou tanto que as apresentações marcadas para o dia não ocorreram. A chefe da Casa Civil teria se retirado e a discussão com o general, com dedos em riste, continuado. "Não falo a respeito", reagiu Caetano neste sábado, ao ser questionado pela reportagem sobre o desentendimento.

A divisão de responsabilidades entre a PF e a Defesa na segurança dos grandes eventos é motivo de desgaste desde o início do governo Dilma. Uma das fontes de atrito é o combate ao terrorismo, posto sob o guarda-chuva dos militares, embora eles não tenham prerrogativa constitucional de investigar crimes dessa e de outras naturezas. A PF resiste em receber ordens da caserna numa área em que, no seu entendimento, deveria atuar de forma autônoma. "Na questão da segurança do Estado, o combate ao terrorismo tem a ver, sim, com as atribuições da Defesa, mas não a investigação", queixa-se uma fonte policial.

Outro problema são questões de segurança e organização. Os militares querem controlar todos os meios aéreos em grandes eventos, inclusive helicópteros, o que significa que as polícias de todo o País precisariam de autorização da Aeronáutica para decolar.

Cotado para a cadeira de Caetano, o também delegado da PF Andrei Augusto Passos Rodrigues se aproximou de Dilma quando chefiava a equipe responsável pela segurança dela na campanha de 2010. Hoje, ele ocupa o cargo de oficial de ligação em Madri, na Espanha. Em novembro, os dois teriam jantado na cidade, fora da agenda oficial da presidente.

Tanto a demissão de Caetano quanto a provável ascensão de Andrei ao comando da Sesge ainda não foram confirmadas pelo governo.

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