Cristiano Ronaldo sem marcação especial

Zagueiros brasileiros acreditam que não há razão para tratamento especial ao principal jogador português

André Cardoso, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL

JOHANNESBURGO

Cristiano Ronaldo é um dos quatro jogadores desta Copa do Mundo que já foram eleitos pela Fifa o melhor do mundo. Também é o responsável pela maior transação da história do futebol, depois de ter sido vendido pelo Manchester United ao Real Madrid, no ano passado, por cerca de 93 milhões. E, além disso tudo, é reconhecido como um craque em todos os cantos do planeta. Mas, para a seleção brasileira, o astro português é apenas um adversário como outro qualquer.

Ao ser considerado o melhor do mundo em 2008, Cristiano Ronaldo atingiu um patamar que só outros três jogadores em ação no Mundial da África do Sul conseguiram: o italiano Fabio Cannavaro, o brasileiro Kaká e o argentino Lionel Messi.

Principal arma da seleção portuguesa, ele atrai marcação especial de todos os adversários que enfrenta. No caso do Brasil, no entanto, o discurso é diferente: não haverá esquema específico para marcá-lo no confronto de amanhã, em Durban, pela última rodada da primeira fase da competição.

Capitão da seleção brasileira, Lúcio está em sua terceira Copa do Mundo seguida como titular da zaga e não vê razão para fazer marcação individual no atacante português. "Acredito mais em uma marcação em equipe, cada jogador na sua zona, um ajudando o outro, sempre com atenção", explicou o zagueiro, que não se intimida. "Temos de impor nossa forma de jogar."

Reserva da zaga do Brasil na Copa, Luisão, que atua no Benfica, de Portugal, foi na mesma linha do capitão e titular. Segundo ele, Cristiano Ronaldo merece a mesma atenção que todos os outros jogadores da seleção portuguesa. "O respeito é sempre o mesmo, independente do nome do adversário", afirmou,

Apesar do discurso, os brasileiros reconhecem o talento de Cristiano Ronaldo. "Ele é um grande jogador", atestou Lúcio. "É muito bom tecnicamente. Chuta e cabeceia bem", concordou o goleiro Julio Cesar.

Foco no time. Mas a ordem no grupo de Dunga é manter a concentração apenas no próprio trabalho, sem valorizar demais o adversário e sempre pregando o respeito por quem vier pela frente.Até porque, na Copa da África do Sul, Cristiano Ronaldo fez apenas um gol até o momento, mesmo tendo mostrado melhor movimentação na goleada de 7 a 0 contra a Coreia do Norte ? na estreia, contra a Costa do Marfim, passou em branco e participou pouco da partida.

Foi assim contra a inexpressiva Coreia do Norte, na estreia brasileira na Copa, sem um grande nome no time, e contra a Costa do Marfim, que conta com Didier Drogba. O foco é sempre manter a concentração na própria seleção.

Os jogadores brasileiros, até mesmo, relutam em comentar sobre as outras seleções que disputam a Copa. "Nem acompanho o que está acontecendo nos outros grupos. Só fico com a cabeça aqui no nosso time, no nosso trabalho", contou Luisão, resumindo parte da estratégia do Brasil para ter sucesso no Mundial da África do Sul, que inclui até mesmo tratar um astro como Cristiano Ronaldo como apenas mais um.

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