Cristiano Ronaldo supera Messi e Real ''rouba'' taça do poderoso Barça

Português marca de cabeça na prorrogação e garante título do time de Madri; ao ficar em desvantagem, catalães se comportaram como um time qualquer

Sílvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2011 | 00h00

Com elegância e frieza, Cristiano Ronaldo usou a cabeça para levar o Real Madrid ao 18.º título da Copa do Rey. Ele fez o gol da vitória da equipe merengue ontem sobre o Barcelona, naquele que é considerado o maior clássico do futebol mundial da atualidade. O jogo foi tenso, eletrizante, e contou com a participação festiva de milhares de torcedores que lotaram o Estádio Mestalla, em Valência.

Foi a primeira conquista de Cristiano Ronaldo pela equipe de Madri. O placar de 1 a 0, alcançado somente na prorrogação, quebrou a hegemonia dos catalães na Espanha e ofuscou Lionel Messi, referência de talento no time do Barcelona.

O rei Juan Carlos assistiu à partida, aplaudiu os lances mais bonitos e participou depois das condecorações aos campeões.

Marcado por uma rivalidade histórica, o confronto começou nervoso, com faltas desleais que deixavam clara a fragilidade da arbitragem. Messi, Iniesta e Cristiano Ronaldo buscavam as jogadas individuais, mas esbarravam na forte marcação adversária.

Das tribunas do estádio, o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, fazia anotações sobre o rendimento de dois brasileiros - os laterais Daniel Alves e Marcelo. Adriano não despertou a atenção de Mano. O treinador contava com a possibilidade de José Mourinho escalar Kaká pelo menos por alguns minutos. O meia, porém, amargou o banco de reservas o tempo todo.

Durante os 90 minutos e acréscimos, houve equilíbrio entre as duas equipes. O Real foi melhor no primeiro tempo e deu mais trabalho ao goleiro Pinto. Depois, a superioridade se inverteu e foi a vez de Casillas se destacar com grandes defesas.

Cristiano Ronaldo já sinalizara que queria definir o jogo e selar o título para o Real Madrid antes mesmo da prorrogação. No final do segundo tempo, ele esticou a perna, dominou a bola pelo lado esquerdo do ataque, entrou na área, estudou a posição do goleiro e só não marcou por uma fração de segundos. Sua conclusão parecia perfeita até a interferência de Daniel Alves, que surgiu com rapidez incrível e evitou o gol. Naquele instante, se a jogada se concretizasse, não haveria como o Barcelona sequer esboçar uma reação.

Logo depois, veio o intervalo derradeiro. As duas equipes ocuparam espaço reservado no gramado do Mestalla, numa corrente que contagiava os torcedores. Houve ali discursos inflamados, choro e gritos de vitória. Em poucos minutos, depois do pacto pelo título, atletas de Real e Barcelona já estavam em ação. A bola rolava e os ataques se sucediam sem muita objetividade.

Mas, aos 13 minutos, Cristiano Ronaldo saltou para fazer história. A jogada começou em tabela entre o lateral Marcelo e Di Maria, que cruzou com perfeição da esquerda. O atacante finalizou com a cabeça, após um discreto recuo no ar.

Faltava ainda o segundo tempo da prorrogação. Mas os minutos finais corriam com velocidade fora do comum para o Barcelona. O time que mais encanta o mundo nos últimos anos não conseguia equilíbrio e acusava o golpe. Messi ainda tentou uma jogada, sem inspiração. O Real, para quem cada minuto parecia uma eternidade, passou a cadenciar o jogo, o que irritou o rival.

No final, prevaleceu a estrela de Cristiano e companhia. O Real devolvia assim a desfeita que lhe foi imposta pelo Barcelona na última vez que os dois disputaram o título da Copa do Rey: em 2000, também em Valência, quando perdeu por 2 a 0.

A RIVALIDADE

18º título

da Copa do Rey festejou o Real, em Valência, mesmo palco da última final diante do Barcelona

18 anos ficou a equipe sem ganhar a competição

25 conquistas

soma o arquirrival Barcelona, o maior campeão, com quem o Real faz semifinal na Champions

2009 foi o ano

da última conquista azul-grená

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