Cruzeiro e Sesi buscam título inédito

Equipes com trajetória recente no vôlei disputam taça hoje, em jogo único. Partida começa às 10 horas, no Mineirinho

Amanda Romanelli e Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2011 | 00h00

BELO HORIZONTE

Dois times quase debutantes no cenário nacional em busca de um título inédito: eis as semelhanças que Sesi e Sada Cruzeiro colocam frente a frente, às 10 horas, no Ginásio do Mineirinho, na partida única que decide a Superliga Masculina 2010/2011.

A equipe mineira quer fazer valer o fator torcida - o público deve superar 17 mil pessoas - para bater o rival e levantar a taça. Após eliminar o Vôlei Futuro em semifinal tensa, com uma vitória contundente, por 3 sets a 0, o time do técnico argentino Marcelo Mendez ganhou ainda mais confiança para encarar o Sesi.

O time paulista, criado há apenas duas temporadas, recolocou São Paulo em uma final após cinco anos e é comandado pelo bicampeão olímpico Giovane Gávio. Apesar da vitoriosa carreira como atleta, esta é a primeira vez que o ex-atacante da seleção brasileira chega a disputa do título nacional como treinador - sua carreira é relativamente recente, iniciada em 2007, no extinto Unisul, de Santa Catarina. "É uma emoção diferente, mas tivemos tempo para treinar e, principalmente, descansar os jogadores", diz o comandante.

Dono da melhor campanha na fase de classificação, quando sofreu apenas três derrotas, o Sesi derrotou o Medley/Campinas em dois jogos nas quartas de final. Em seguida, na semifinal, teve mais dificuldades: precisou levar a série para o 3.º jogo para eliminar o Vivo/Minas.

Foi no último duelo antes das finais que o ponta Murilo, eleito como o melhor jogador do Mundial de 2010, na Itália, deu um susto nos torcedores do Sesi: atuando nitidamente "no sacrifício", revelou que dores o incomodaram durante todo o jogo.

Murilo, de 29 anos, sentiu a coxa direita horas antes da partida. A "teimosia" em atuar, entretanto, não agravou a lesão, um estiramento curado uma semana depois. E como a série semifinal do Sesi terminou antes da sequência de jogos do Cruzeiro contra o Vôlei Futuro, o jogador teve tempo suficiente para se recuperar. "O nosso grande receio era não poder contar com todos os atletas nos 100%", admitiu Giovane.

Mas não é só com o craque da seleção que o técnico conta. Giovane tem o equilíbrio do levantador Sandro e a segurança do líbero Escadinha, um dos maiores do mundo em sua posição. Com o experiente Wallace, tem a garantia de muitas bolas no chão: o oposto é o maior pontuador da Superliga, com 546 acertos.

Casa cheia. O Mineirinho, que volta a receber uma decisão de Superliga Masculina desde a temporada 2005/06, quando a Cimed sagrou-se campeã ao derrotar o Minas. Na temporada anterior, o Banespa levantou a taça ao vencer o Minas no mesmo ginásio, diante de mais de 20 mil torcedores. "Agora vamos ter aí 17 mil pessoas a nosso favor. E que não se repita aquela história"", destacou o experiente ponteiro Filipe, que defendia o Banespa na época.

Mendez prevê um "jogo com muita disputa"". "O Sesi tem vários jogadores de destaques da seleção e também joga de forma equilibrada"", argumenta. O treinador considera importante o apoio do torcedor, mas ressalta que a equipe terá de fazer a sua parte em quadra. "Nosso time tem muito volume de jogo, erra pouco e acho que esse é o caminho para a vitória.""

Nos últimos dias, a principal preocupação de Mendez foi adaptar o grupo às dimensões do novo ginásio. O Cruzeiro vinha mandando seus jogos no acanhado Ginásio do Riacho, em Contagem, na região metropolitana.

A mudança para o Mineirinho foi sentida. Os treinos são fundamentais para que os atletas se ajustem às "referências"" do ginásio, observa Filipe. "A bola parece que vem lenta, mas está vindo muito rápida"", exemplificou.

A decisão será a oitava na carreira do líbero Serginho, que já conquistou três títulos pelo Minas. Para Serginho, contudo, a experiência individual vale pouco perante a união do grupo. Nos momentos decisivos o que conta mesmo, ressaltou, é a força do conjunto.

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