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Tiago Queiroz | ESTADÃO CONTEÚDO
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CT Paralímpico, exemplo de legado dos Jogos do Rio

Centro de Treinamento receberá seis grandes eventos em novembro e projeta bons frutos no ciclo até Tóquio-2020

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

29 Outubro 2016 | 17h01

O Centro de Treinamento Paralímpico em São Paulo é um dos principais legados dos Jogos do Rio. Inaugurado antes da Olimpíada, ele só pôde ser usado na reta final da preparação e aclimatação da equipes, mas agora, visando ao ciclo até Tóquio 2020, o local já está sendo bastante utilizado.

Para se ter uma ideia, só no mês de novembro o espaço receberá seis grandes eventos: Copa Brasil de Futebol de 5, IV Copa Brasil de Pares e Equipes de Bocha, 3.ª Fase Nacional do Circuito Caixa Loterias Atletismo, Natação e Halterofilismo, Campeonato Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas, Paralimpíadas Escolares e Campeonato Brasileiro de Basquete em Cadeira de Rodas da 1ª Divisão.

“A estrutura física de treinamento para um atleta de alto rendimento é muito importante. Era o que faltava para a equipe paralímpica brasileira, seja da seleção ou até mesmo dos clubes/associações. Este é um dos melhores e maiores CTs do mundo e é um local excelente. Tenho certeza que nos dará condições de melhorar e 'fabricar' novos atletas por muitos e muitos anos”, explicou Verônica Hipólito, do atletismo, prata nos Jogos Paralímpicos.

A preocupação com o legado dos Jogos do Rio é grande, até porque o Parque Olímpico, apesar de ter um projeto de uso, ainda está na fase de licitação. No local, desde o fim da competição, apenas um evento esportivo foi realizado, o Raia Rápida, de natação. Até por isso, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) se esforça para manter o CT em pleno funcionamento.

“O CT é, sem dúvida, fundamental na preparação para as próximas competições, pois temos tudo ao nosso dispor, desde alojamento, alimentação e a parte estrutural dos treinamentos em um único local. Isso nos dá a possibilidade de não precisarmos nos deslocar para lugar nenhum e estarmos focados somente na preparação. Todo atleta precisa de um espaço com estes recursos para ter bom rendimento”, comentou Ricardinho, tricampeão paralímpico no futebol de 5.

Além das grandes competições, o CT já recebe equipes para treinamento e campeonatos menores, como a terceira divisão do Brasileiro de Basquete em Cadeira de Rodas. “O campeonato está sendo realizado aqui e isso é um dos frutos que estamos colhendo”, disse Andréia Farias, atleta da Addece, de Fortaleza. “O CT é todo adaptado, não vi qualquer defeito. É um estímulo grande para nós.”

A jogadora Paola Klokler concorda. “Antes, nós não tínhamos quadra, usávamos uma de favor, agora podemos praticar sem problemas. O espaço é sensacional.”

O CPB tem a permissão de uso até maio. Depois, tentará um acordo com o governo do Estado para gerir o espaço por um longo período, a fim de formar mais campeões.

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Atleta paralímpico quer transformar bronze em ouro nos Jogos de Tóquio

Ítalo Gomes Pereira sonha brilhar em 2020 e melhorar sua colocação

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

29 Outubro 2016 | 17h01

Terceiro lugar nos Jogos Paralímpicos do Rio na prova de 100 m costas classe S7, Ítalo Gomes Pereira quer usar a estrutura do CT Paralímpico, em São Paulo, para transformar o bronze em ouro daqui a quatro anos, em Tóquio, no Japão. “A intenção é melhorar, vou treinar para isso aí. Quero chegar lá e brigar por um segundo lugar, quem sabe um primeiro”, avisa.

Na ocasião, Ítalo nadou a distância em 1min12s48, quase dois segundos mais lento que seus rivais que ficaram mais alto no pódio. Para ele, as instalações do CT podem fazer ainda mais diferença no futuro. “Eu treinei aqui antes dos Jogos do Rio, logo que ficou pronto, mas antes treinava em São Caetano, onde a estrutura é relativamente boa, mas às vezes a piscina estava muito gelada. Isso deixou um pouco a desejar”, conta.

Ítalo nasceu em Porto Nacional, no Tocantins, mas foi criado em Goiânia. Ele tinha mobilidade reduzida por causa de uma rubéola congênita e aos 13 anos optou pela natação. Disputou os Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, e no final do ano seguinte decidiu se mudar para São Caetano para treinar usando a estrutura do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Agora, ele se mostra radiante pelo espaço do CT.

“No meu caso será a primeira vez que treinarei com estrutura desse porte para fazer uma preparação completa para o ciclo. Para mim e meus técnicos, isso me deixa bem mais confiante sabendo que eu não perderei em nada quanto à estrutura para quem está treinando lá fora, os meus adversários no caso, e isso me deixa bastante motivado para o próximo ciclo”, diz.

Ele conta que todos estão elogiando bastante o local, que deixou impressionado inclusive Sir Philip Craven, presidente do IPC (Comitê Paralímpico Internacional). “A estrutura é de primeiro nível. O presidente do IPC veio para cá e disse que nunca tinha visto um centro voltado para o esporte paralímpico desse nível. Sabemos que temos o que há de melhor para treinar. Chego bem tranquilo e pretendo ficar direto aqui.”

Para ele, não foi só na parte de estrutura que melhorou. A relação com os colegas de equipe também mudou. “A galera brinca muito quando divido a raia. Por causa da minha envergadura e do meu estilo de nado, sempre atrapalhava um pouco os colegas, sempre tinha reclamação, diziam que eu batia. Aqui cada um tem uma raia para treinar, isso dá tranquilidade a mais”, conclui.

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