Cuba chega a 10 finais do boxe, enquanto Brasil ganha só duas de bronze

A decisão dos irmãos Yamaguchi e Esquiva Falcão e do campeão mundial Everton Lopes de migrarem para o boxe profissional está causando forte impacto nos resultados do País no boxe amador. Nesta quinta-feira, o Brasil encerrou sua participação nos Jogos Pan-Americanos de Toronto com irrisórias duas medalhas de bronze, fora de todas as 13 finais.

Estadão Conteúdo

23 de julho de 2015 | 23h40

A campanha é a pior do País desde o Pan de Caracas, em 1983, quando o Brasil também ganhou apenas duas de bronze. Desde então, só uma vez a delegação brasileira foi pior em número de medalhas: em 1995 (em Mar del Plata), quando ganhou uma de prata, com o então amador Acelino Popó Freitas. Desde então, nunca havia deixado de fazer finais. Ainda há o atenuante de que, desde o Pan passado, também são disputadas três categorias femininas.

A última oportunidade de garantir pelo menos uma prata era com Rafael Lima. O veterano superpesado, de 32 anos, voltou este ano à seleção brasileira depois de boa passagem pelo boxe "semi-profissional" e precisou fazer apenas uma luta para chegar ao bronze, vencendo um atleta das Ilhas Virgens. Na semifinal, nesta quinta-feira, perdeu do venezuelano Edgar Muñoz. A outra medalha foi conquistada pelo meio-médio ligeiro Joedison Teixeira, o Chocolate, também de bronze.

Assim, o boxe pode acabar sendo decisivo para a disputa do terceiro lugar do quadro geral de medalhas. Afinal, Cuba fecha a quinta-feira com 26 de ouro, contra 34 do Brasil. Se confirmar o favoritismo, pode levar todas as categorias do boxe masculino e assumir a terceira colocação.

O boxe brasileiro competiu desfalcado em Toronto. Robenilson de Jesus, Robson Conceição e Patrick Lourenço estão participando de uma liga semi-profissional da Federação Internacional de Boxe Amador (Fiba) e, por terem compromissos em datas próximas do Pré-Pan, foram proibidos de lutar a seletiva. Como a seleção tem poucos atletas, a Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) não tinha substitutos para levar ao evento.

Ainda assim, esperava-se muito mais do Brasil no Pan. Em 2013, venceu o chamado "Campeonato Continental", que é o Pan-Americano da modalidade. Mas, dos quatro medalhistas de ouro daquele evento, só um estava em Toronto (Roberto Queiroz, que nem foi ao pódio). Julião Neto e Michel Borges também não conseguiram repetir o bronze.

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