Cuba chega com poucas chances de ouro, até no boxe

País competirá com menos atletas e menos prestígio do que 4 anos atrás; vôlei feminino nem se classificou

AMANDA ROMANELLI , ENVIADA ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h08

LONDRES - Potência histórica do esporte mundial, Cuba não é mais a mesma. As dificuldades impostas pela crise econômica, o embargo imposto pelos Estados Unidos e o medo de deserções fragilizou o antes imponente sistema esportivo do país caribenho. Depois de uma campanha ruim nos Jogos de Pequim, há quatro anos, Cuba chegou à Olimpíada de Londres com uma equipe ainda mais enxuta, e sem grandes perspectivas de medalhas.

Pela primeira vez desde os Jogos de Tóquio, em 1964, Cuba não terá nenhuma equipe de esportes coletivos classificada para o torneio.

O caso mais grave foi o do vôlei feminino, tricampeão olímpico. A equipe não conseguiu uma vaga para Londres dentro da seletiva caribenha, mas havia se classificado para a repescagem mundial. Só pôde disputar a vaga (que não conseguiu) no Japão por causa de uma ajuda financeira da Federação Internacional - o time chegou a anunciar sua desistência do torneio por falta de recursos financeiros.

Outra ausência cubana sentida em Londres é a da esgrima. A modalidade, que já deu 16 medalhas ao país (cinco ouros), não teve nenhum atleta classificado.

A delegação cubana diminuiu ainda mais em relação a Pequim. Há quatro anos, foram 165 atletas em 16 esportes. Em Londres, serão 110 competidores em 14 modalidades. Na China, o país conseguiu apenas duas medalhas de ouro, com Mijaín Lopez, da luta greco-romana, e com o velocista Dayron Robles, dos 110 metros com barreiras. Para o lutador, repetir o pódio é uma possibilidade. Para o barreirista, conseguir uma medalha seria uma grande superação. Robles enfrentou problemas com lesões, pouco competiu e ainda viu o surgimento de adversários de peso em sua prova, como os americanos Aries Merritt e Jason Richardson.

Pela honra. As lutas, pelo menos, devem continuar sendo um importante celeiro de pódios para Cuba. Na China, além do ouro de Lopez, foram sete pratas e oito bronzes.

Mas também houve uma grande decepção: pela primeira vez em 40 anos, os cubanos deixaram a Olimpíada sem uma medalha dourada no boxe. O resultado foi frustrante na comparação histórica, já que o país havia conquistado cinco ouros em Atenas-2004. "Nosso propósito é buscar medalhas com todos os pugilistas e alcançar alguns títulos", disse o técnico Rolando Acebal. Campeões mundiais no Azerbaijão, em 2011, Lázaro Alvarez e Julio Cesar de La Cruz são os favoritos para que Cuba consiga minimizar a decepção em seu esporte favorito.

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