Cuba vê GP como o início de um novo ciclo

Em decadência esportiva, país compartilha know-how adquirido no salto triplo com o Brasil

Bruno Lousada, RIO, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

Considerada uma potência olímpica, Cuba está em decadência esportiva. Seu rendimento caiu na classificação geral nas últimas olimpíadas. Em Pequim, no ano passado, decepcionou: terminou em 28º lugar, com 24 medalhas, atrás do Brasil e da Etiópia. O atletismo cubano só faturou um ouro, com Dayron Robles nos 110 metros com barreira, duas pratas e dois bronzes na China. E qual é a explicação para isso? O próprio treinador de salto em distância de Cuba, Danilo Osório, admite que esperava mais da equipe. Contudo, não quis criticar ninguém diretamente. Preferiu dizer que a competição foi de alto nível e, por isso, o país ficou "muitas vezes fora do pódio." "Temos pouco dinheiro e bons resultados", diz Osório, que vê o Grande Prêmio do Rio de Atletismo como o início de preparação para um novo ciclo olímpico. Ele já mira os Jogos de Londres, em 2012. "Pequim já ficou na história. Já passou."Treinador de salto triplo de Cuba, Sigfredo Bandera vai usar a competição de hoje como um campo de observação para o Mundial de Berlim, em agosto. Ele considera o GP de alto nível técnico, com vários campeões mundiais e olímpicos. "É bom para saber como estão nossos concorrentes." Opinião semelhante tem Justo Navarro, treinador cubano de arremesso de peso. "O importante aqui não é a medalha em si, e sim o progresso dos nossos atletas", explica. Brasil e Cuba realizaram, de terça a sexta-feira, um camping de treinamento de salto triplo, no Estádio Célio de Barros, no Complexo do Maracanã, para qualificar seus atletas e treinadores. Pelo menos na atual temporada, três triplistas cubanos estão entre os três primeiros do mundo: Yoandris Betanzos (17,65 metros), Alexis Copello e David Girat (17,62 m)."Eles vivem um momento próspero no triplo", observou Nélio Moura, treinador de Maurren Maggi e de Irving Saladino - campeões olímpicos do salto em distância. "Esse intercâmbio é bom para nos capacitar ainda mais", destaca o treinador cubano Bandera.

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