Cubano que desertou do Pan desaparece em São Paulo

Após ser descoberto pela imprensa em São Caetano do Sul, Rafael Capote, 19 anos, pega suas coisas e some

Martín Fernandez, do Estadão,

16 de julho de 2007 | 20h35

O jogador de handebol cubano Rafael Capote, de 19 anos, desapareceu na manhã desta segunda-feira, depois que seu paradeiro foi descoberto pela imprensa brasileira. Capote abandonou a Vila Pan-Americana, no Rio de Janeiro, na última quinta-feira. Sem ter para onde ir, gastou R$ 600 num táxi até São Caetano do Sul, onde se encontrou o compatriota Michel Oquendo, goleiro do time IMES/São Caetano.   Veja também:  Confira o quadro de medalhas do Pan 2007   Conheça os detalhes das modalidades em disputa   A convite de Oquendo, Rafael Capote treinou com o time na quinta e na sexta-feira. "Ele é muito bom jogador, alto, forte, talentoso e jovem. Tem muito potencial", elogiou o técnico do Imes/São Caetano, Wasshington Nunes, que não pôde ficar com o jogador. "Já temos dois estrangeiros no time." Além do cubano Oquendo, o São Caetano conta com o argentino Matías Lima, que está no Rio de Janeiro defendendo seu país no Pan.   Depois de ter sido "dispensado" pelo time do compatriota, Capote passou o fim de semana na casa que Oquendo divide com outros quatro jogadores da equipe de São Caetano. "Ele chegou só com a roupa do corpo, então demos algumas coisas para ele", conta o armador Caio Cesar Eufrásio, de 21 anos.   Na manhã desta segunda-feira, o rapaz foi encontrado por uma equipe da Rede Globo, com quem conversou pouco. Ele explicou porque tomou a decisão de trocar Cuba pelo Brasil: "Aqui terei mais condições de viajar e crescer profissionalmente".   Após o encontro, porém, o rapaz desapareceu. "Depois que os caras da Globo foram embora, ele ficou apavorado. Pegou as coisas dele e sumiu", relata Eufrásio. O técnico Nunes e o coordenador de handebol do Imes, Flávio Pontes, confirmam a história. "Ele ficou preocupado com o assédio da imprensa, achou que poderia acontecer algo mais grave e desapareceu."   Os atletas que conviveram com Capote nos últimos dias garantem que o cubano não tinha qualquer crítica ao seu país de origem. "Ele dizia que só queria jogar", conta o técnico Nunes. "Ele era muito calado. Só dizia que era profissional e queria uma chance."   De acordo com o Conselho Nacional de Refugiados (Conare) e a Polícia Federal, a situação de Rafael Capote no Brasil por enquanto é legal. Mas, para poder trabalhar e jogar profissionalmente, o atleta teria de pedir asilo político. O primeiro passo é se apresentar ao departamento de estrangeiros da PF.   "A delegação de Cuba não nos avisou que um atleta desertou. E o atleta não nos procurou", informou a assessoria de imprensa da PF. "Ele tem visto para entrar no Brasil, então não há nada ilegal."

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