Bazuki Muhammad/Reuters
Bazuki Muhammad/Reuters

Curva do Café preocupa pilotos da F1

Rubinho e Massa acham que está na hora de se fazer alterações no local, depois de mais uma morte em Interlagos

LIVIO ORICCHIO - Enviado especial, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2011 | 00h00

KUALA LUMPUR - A morte de Gustavo Sondermann, domingo na prova de picape Montana Stock Car, em Interlagos, repercutiu forte no paddock do circuito de Sepang, onde será disputado o GP da Malásia, o segundo da temporada 2011 de Fórmula 1 - na madrugada deste sábado ocorre a sessão de treinos classificatórios. "Se precisar de piloto para falar com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para mudar a Curva do Café, nós vamos", afirmou Rubens Barrichello, da Williams, presidente da associação dos pilotos de F1 (GPDA). "Não foi apenas uma fatalidade, a gente tem de melhorar aquela curva", disse Felipe Massa, da Ferrari.

Os dois exigem mudanças. "Não acredito em coincidências, duas mortes na mesma curva em tão curto intervalo de tempo (Rafael Sperafico morreu em 2007) me levam a crer que algo tem de ser feito", afirmou Rubinho. "A Confederação (CBA) tem de ir atrás, tem de cobrar a Prefeitura, que vai ter de diminuir a arquibancada", disse Massa.

O australiano Mark Webber, ex-diretor da GPDA e piloto que também se acidentou com perigo na Curva do Café, no início da Reta dos Boxes de Interlagos, ouviu a notícia e procurou a imprensa brasileira para ter detalhes. "O problema é que quem vem subindo a reta só pode ver o que está à frente, naquele ponto, quando está bem próximo do local. É uma curva, em aclive, e dentro do cockpit ficamos rente ao asfalto, bem baixo."

Em 2003, no fim do GP do Brasil, começou a chover e Webber perdeu o controle do seu Jaguar, colidindo na barreira de pneus da Curva do Café. O carro lançou peças para todos os lados e Fernando Alonso, da Renault, acertou uma roda. O choque o levou para o hospital por uma noite. Não se feriu com gravidade. "Passamos por ali em quinta, sexta marcha, a mais de 220 km/h", lembrou Webber. O carro de Sondermann foi atingido em cheio por Pedro Boesel, que teve fratura na clavícula.

O delegado de segurança da FIA, o inglês Charlie Whiting, já tinha visto até as imagens do ocorrido domingo, pela internet. Comentou que antes de a CBA lhe enviar um relatório com todos os detalhes do acidente não pode se manifestar. Em outras ocasiões, já havia dito a respeito da Curva do Café que o ideal, se houver mesmo espaço, com a retirada de parte da arquibancada, será ampliar a área de escape. Ou, como também propôs ontem Rubinho, construir o muro rente ao fim do asfalto, como nos circuitos ovais norte-americanos. "A tendência é o carro deslizar raspando no muro e não voltar para o meio da pista", argumentou na época Whiting. Ontem, limitou-se a dizer, em Sepang: "Vou com prazer ao Brasil ver o que pode ser feito".

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