Daiane admite ter ficado nervosa

"Não estou frustrada, estou triste. Sabia que podia ser melhor e não foi. Eu queria mais, de mim mesma. Mas acontece, são coisas do esporte. Eu podia ter errado tudo, que era o que eu não queria. Agora, vou chorar porque não ganhei? Não vai adiantar nada...Não dá para voltar atrás. Agora é voltar a treinar muito, muito mais", disse a ginasta na saída da competição do solo no Olympic Indoor Hall de Atenas, depois das medalhas irem para as romenas Catalina Ponor, que alcançou 9.750, e Daniela Sofronie, com 9.562, mais a espanhola Patricia Moreno, que fez 9.487. Com erros ou não, pisando fora da linha do tablado, Daiane dos Santos foi a primeira brasileira a alcançar uma final olímpica na ginástica artística e ainda chegando ao quinto lugar (com 9.375) dois meses depois de uma cirurgia no joelho direito."Nervosismo? Sim", disse Daiane, que já com um erro na primeira linha e outro na segunda perdeu suas chances de nota boa. "Foram 0,20 por dois passos errados, 0,10 por pisar fora da linha. Se não fosse isso, chegaria a 9.600 e pouco. Só que..." A ginasta explicou que seu erro foi estar com o corpo um pouco fechado e não bem esticado, "na corveta, antes do twist, o que me desequilibrou". O excesso de vontade, de querer fazer tão bem feito, pode atrapalhar, assinalou.Daiane tinha uma série mais simples, a que apresentou no Mundial de Anaheim/2003 e com a qual foi campeã do solo - outro feito inédito para a ginástica artística brasileira. Mas aqui precisava mostrar a série mais arriscada - tanto que fez os dois novos movimentos, o duplo twist carpado e o esticado (chamado "Dos Santos" pela Federação Internacional de Ginástica). "Vou homologar mais um (que também deve chamar "Dos Santos", mas será conhecido com o "esticado").Segundo Daiane, ter sido a primeira a competir na disputa do solo não influenciou em seu nervosismo, nem o joelho recém-operado, que "não está doendo, está bem seguro". O problema, além da ansiedade, disse, foi o tempo sem treinar, ou treinando "mais ou menos" durante um mês - um período muito longo para uma ginasta. "Eu estava com a passada, a velocidade controlada, antes da cirurgia. Depois, você perde. Pode fazer o movimento mais curto ou cair fora da linha. Por isso digo que é preciso treinar muito, na volta ao Brasil." Foi o que o técnico Oleg Ostapenko falou, assim que saiu do tablado, como Daiane contou. "Ele me disse: ´Boa menina. Muito bem. Só precisa trabalhar mais." Na saída, o treinador resumiu: "Foi um erro na primeira linha e outro na segunda. Aí, acabou." Para Oleg, o medo pelo joelho machucado pode ter atrapalhado muito a perfomance desta segunda-feira, porque passaram-se apenas dois meses da cirurgia.

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