Daiane dos Santos mudará para São Paulo após Olimpíada

Gaúcha revela que tem uma proposta 'muito boa' para atuar como ginasta e técnica no Clube Pinheiros

Glenda Carqueijo, O Estado de S. Paulo

11 de janeiro de 2008 | 09h04

Daiane dos Santos tem uma lista enorme de resoluções para 2008. E uma de suas metas é tornar-se "paulistana" no segundo semestre. A ginasta revelou que tem uma proposta, muito bem encaminhada, com o Clube Pinheiros, onde, além de treinar, quer ajudar a equipe - "Ajudá-los não só como ginasta, mas como técnica ou coordenando e organizando as equipes de ginástica", explicou. Ela pretende se transferir de Curitiba, onde fica a sede da equipe brasileira permanente, para São Paulo após a Olimpíada de Pequim, que acontece em agosto. "Entrei em contato com o clube algumas vezes e está quase tudo certo. Vai ser bacana treinar em São Paulo, em um clube forte e de tradição", contou Daiane, empolgada com o projeto para o futuro. Com o fim do ciclo olímpico, a equipe permanente de ginástica artística será desfeita após a Olimpíada de Pequim e cada atleta terá de voltar para seu clube. Daiane está sem clube há dois anos - o último foi o Grêmio Náutico União, de Porto Alegre, sua cidade natal. Por isso mesmo, o convite do Pinheiros veio em boa hora para a ginasta de 24 anos, uma das estrelas do esporte brasileiro. No ano que vem, haverá eleição para presidente da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). Assim, a decisão do local da nova sede ou mesmo se a equipe permanente continuará treinando junta dependerá do dirigente que assumir o cargo - atualmente, quem está no comando da entidade é Vicélia Florenzano.  A oportunidade de defender um clube afasta qualquer possibilidade de Daiane se aposentar após os Jogos de Pequim. "Na China, será minha última Olimpíada. Londres [em 2012] é muito distante. Não vai dar, já estarei velha, com 29 anos", brincou a ginasta. "Mas quero continuar competindo, fazendo treinos mais leves." Os planos de Daiane incluem a disputa da Super Final da Copa do Mundo, em dezembro deste ano - a competição é realizada a cada dois anos e ainda não tem local definido. "Dá para continuar competindo mais alguns anos", admitiu a ginasta, que já passou por várias intervenções cirúrgicas - operou, por exemplo, os dois joelhos. A última cirurgia foi em outubro, quando ela foi submetida a uma artroscopia no tornozelo esquerdo. A inflamação no local, que obrigou a realização da operação, acabou impedindo Daiane, favorita ao ouro na prova de solo dos Jogos Pan-Americanos do Rio, em julho, de competir na decisão. "Tiveram de raspar o osso do tornozelo e remover sangue acumulado", lembrou. Sofrendo com dores no tornozelo durante o Pan, quando foi para o sacrifício e ajudou a seleção brasileira a se classificar para a final por equipes (o Brasil ficou com a prata, atrás dos Estados Unidos), Daiane ainda ajudou as companheiras no Mundial de Stuttgart, em setembro, quando a equipe brasileira garantiu vaga em Pequim. Desde então, ela não competiu mais. Como operou o tornozelo esquerdo em outubro, Daiane ficou dois meses treinando apenas os membros superiores, sem poder correr nem saltar. Entrou em férias com a equipe no dia 17 de dezembro e voltou a treinar na última segunda-feira. Na pausa para festa de fim de ano, no entanto, a ginasta não conseguiu ficar parada. "Fiz caminhada, flexão de braço, para manter a forma", revelou Daiane. Agora, no retorno aos treinos, as atletas, que estão acostumadas a treinar em dois períodos, estão fazendo apenas treinos leves, de readaptação. "Estou voltando devagarzinho." Até a Olimpíada, em agosto, estão previstas cinco etapas da Copa do Mundo - a primeira será em Doha (Catar), em março. "Devo competir na etapa de Cottbus [abril]", admitiu Daiane. Em junho, o Brasil terá um amistoso em Roma, com as equipes da Romênia e Itália. E em julho, no Japão, acontece o treino de adaptação para os Jogos de Pequim.  Daiane, inclusive, está confiante em sua última participação olímpica. "Eu tenho chance no solo", avisou a ginasta, que foi campeã mundial da prova em 2003. Ela ainda acredita no pódio para Jade Barbosa no individual geral e na medalha de ouro para Diego Hypólito no solo.  Para a Olimpíada, Daiane reconheceu que pode mudar a música da apresentação no solo - ela vinha sendo embalada por "Isto aqui, o que é?", de Ary Barroso. "Se mudar, vai continuar com um ‘sambinha’ de fundo. Mas ainda não montamos a série. Só sei que vai ter o tsukahara esticado [pirueta com duplo mortal com as pernas estendidas]."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.