Daiane dos Santos também é boa de samba

A sambadinha no pódio de Daiane dos Santos, após a conquista do ouro inédito no solo para o Brasil, no Mundial de Anaheim (EUA), foi justificada nesta terça-feira pelo pai da ginasta de 20 anos. "A ?Dai? (como é chamada em casa) adora samba e sempre que pode vai aos ensaios da escola Imperadores do Samba, aqui em Porto Alegre", contou Moacir dos Santos.Convites para desfilar na escola de samba nunca faltaram a Daiane, mas o problema é que as competições sempre coincidiram com o carnaval. "Quem sabe no ano que vem , ela desfila...", disse o pai da ginasta.Fora a escola de samba, um sábado por mês, quando tem folga dos treinos em Curitiba, Daiane reúne os amigos em casa e arrisca outro tipo de solo. "Os amigos dela trazem cavaquinho e pandeiro. Ela até tenta tocar, mas é um desastre. Mas na dança, não tem para ninguém", orgulha-se o pai.Além de Moacir, a mãe Magda e as irmãs Daise, Cíntia e Jéssica morrem de saudade de Daiane. "Ela só vem uma vez por mês e fica 12 horas na cidade. Nem dá tempo de matar a saudade", revelou Cíntia.Agora, Daiane está aproveitando os quatro dias de descanso com a equipe brasileira, depois do Mundial, na Disneylândia, que segundo o pai sempre foi o seu sonho. "Foi um prêmio mais do que merecido. Ela sempre quis conhecer o Mickey, é um sonho de toda adolescente", disse ele. Sim, para o pai, Daiane ainda é uma adolescente. "Ela cresceu, mas nunca deixou de ser moleca e arteira. Além disso, ela é muito apegada à família, coisa rara hoje em dia", garantiu Moacir. Mas ele não esconde que, como toda menina de sua idade, adora sair à noite. "As ginastas são muito privadas da vida noturna, mas sempre que ela pode não perde um agito com as colegas."Moacir, 40 anos, é monitor da Fundação de Proteção Especial, extinta Febem de Porto Alegre, e Magda é cozinheira da casa Harmonia, que presta assistência para moradores de rua. Na Fundação, Moacir descobriu o quanto o esporte é fundamental para formação da criança. "Há uma legião de fãs da ?Dai? que querem praticar o esporte e torcem por ela. Quem sabe agora a ginástica olímpica ganha mais espaço", afirmou.Daiane está há um ano e meio com o patrocínio da Brasil Telecom, o que é motivo de alegria para seu pai. "Antes, eu era o ?paitrocínio? dela. Cheguei até mesmo a pedir empréstimo financeiro para bancar viagens e competições da minha filha", contou, ao lembrar que no Pan de Winnipeg, em 99, ela tinha apenas o apoio de uma pizzaria de Porto Alegre. O salário mensal que recebe do patrocinador "não chega nem aos pés dos jogadores de futebol, mas dá para ele viver bem", disse Moacir.No sábado, Daiane desembarca em Porto Alegre e será recepcionada pela família com churrasco. Ela treinará em seu clube, o Grêmio Náutico União, até o dia 21 de setembro e no dia seguinte, se reapresenta à equipe permanente em Curitiba com os demais ginastas integrantes da seleção e retoma os treinamentos de nove horas diárias, como preparação para a Olimpíada de Atenas/2004 e outras competições nacionais.

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