Daiane: "Escolha da série foi minha"

A ginasta Daiane dos Santos, de 21 anos, assumiu a responsabilidade pela escolha da série que lhe conferiu o quinto lugar no solo nas Olimpíadas de Atenas, deixando para trás uma medalha que era dada como certa no Brasil. "Eu arrisquei", afirmou a ginasta. "Sabia que podia dar certo ou não, mas fiz o máximo." Segundo ela, a escolha tinha também como objetivo homologar essa série com seu nome, o que vai acontecer. Daiane respondeu com negativas às insistentes perguntas sobre se teria chorado. "Quem está com raiva vai treinar, desconta no ginásio", disse. "Estou p. da cara porque não consegui, estou com muita raiva, mas não vou chorar, eu quero treinar muito." Segundo ela, a garra para vencer dificuldades com trabalho foi herdada da família. A mãe, Magda, não cansava de repetir hoje: "Tem que levantar, sacodir a poeira e dar a volta por cima". Daiane considerou vitoriosa a participação brasileira e particularmente a dela. "Meu sonho era ir para as olimpíadas", salientou. "Tenho que dar graças a Deus pelo que consegui." O mais importante, segundo ela, é que seu nome e o nome do Brasil estão perpetuados no Código de Ginástica com dois elementos conhecidos como Dos Santos (duplo twist carpado) e Dos Santos 2 (duplo twist estendido). "Quando tiver meus filhos, meus netos, estiver bem velhinha e um ginasta for fazer, eu vou dizer: fui a primeira a fazer aquilo", declarou sob aplausos. "Dos Santos vai estar para sempre lá." Mas, para as próximas competições, ela não pretende apresentar novidades. "Tem que aperfeiçoar o que já tem." Na boca de todas as ginastas elogios para a conquista brasileira, que passa a ocupar a 9ª posição mundial. "Nas olimpíadas elogiaram a Ana Paula Rodrigues, disseram que ela é muito elegante, muito bonita, e ela é, e é brasileira", ressaltou Daiane. "Temos que ter muito orgulho do que temos aqui. Às vezes, olha-se muito o que podia ter sido. Mas não foi. Tem que olhar para o que a gente tem e não para o que poderia ter sido." Uma visão semelhante à da outra estrela da ginástica, Daniele Hypolito. "Achávamos que o sonho de levar uma equipe estaria muito distante, mas foi possível em quatro anos", elogiou. As ginastas não terão muito tempo para descansar. Segunda-feira retornam aos treinamentos. Daniele tem uma disputa da Copa do Mundo no Chile já no início de setembro, enquanto Daiane prepara-se para a final da Copa do Mundo em dezembro. "Infelizmente não dá para parar", disse a coordenadora da seleção brasileira, Eliane Martins. Entusiasta, ela acredita que a ginástica brasileira "está no caminho certo e é referencial em nível internacional". Elogios também para o trabalho dos técnicos ucranianos Oleg e Irina Ostapenko. "As atletas tinham o potencial desde sempre e eles trouxeram o conhecimento em planejamento e preparação para competição", disse.

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