Daiane vai sambar em Pequim

Ritmo decidido, ela busca um bom arranjo para se apresentar nos Jogos

Glenda Carqueijo, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2008 | 00h00

Daiane dos Santos perdeu a conta de quantos CDs comprou para encontrar a música que embalará sua série de acrobacias no solo na Olimpíada de Pequim, em agosto. Já ouviu de tudo: MPB, música eletrônica, reggae, axé, enredos de escolas de samba e até funk, como a ?Dança do Créu?, coreografia usada pelos jogadores de futebol nas comemorações de gol. A batida está descartada, para alívio da Confederação Brasileira de Ginástica. Daiane já escolheu o ritmo. "Vai ser samba, mas mas ainda não encontramos um bom arranjo", conta. Até mesmo o presidente da Federação Internacional de Ginástica, Bruno Grandi, sugeriu a Daiane que adote o ritmo brasileiro: "Ele disse: ?Daiane tem que ter música com samba???, revela a ginasta.Primeira negra da história a ganhar o título mundial na ginástica artística, Daiane encantou o público com seu gingado, acrobacias de explosão e músicas de impressionar os juízes. "Só o Brasil tem samba. Tem a ver com os negros. É uma questão cultural." Daiane prefere não arriscar com um clássico, opção de rivais. "O ritmo tem de fechar com cada ginasta. Meu biótipo não combina com o estilo clássico." A chinesa Fei Cheng e a italiana Vanessa Ferrari já adotaram, segundo Daiane, batidas mais fortes. "Com clássico mesmo, só a Svtelana Khorkina se apresentava". A russa, campeã mundial, era alta (1,64 m) e encantava pela leveza nos movimentos.Daiane mede 1,46 m. Sugestões de fãs não faltam. A mais pedida é Sorte Grande, conhecida como ?Poeira?, de Ivete Sangalo. "Ouviu no karaokê a música sem a voz da Ivete? Fica horrível!" Há mais de um ano, vem se apresentando ao som de Isto aqui, o que é?, de Ary Barroso. País Tropical, de Jorge Ben Jor, durou pouco. O maior sucesso foi com Brasileirinho, de Waldir Azevedo. O desejo de mudar a música coincide com o fim de um ciclo, sua terceira Olimpíada. "Quero uma música que toque as pessoas." Daiane compete na etapa alemã de Cottbus da Copa do Mundo, de 11 a 13, ainda ao som de Ary Barroso.

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