Daiane viaja para o Mundial da França

A ginasta Daiane dos Santos mal teve tempo de descansar após a conquista de mais uma medalha de ouro no solo, na etapa de Cottbus, na Alemanha, no domingo. Hoje, ela embarcou com a equipe brasileira para Lyon, na França, sede da segunda etapa da Copa do Mundo. Daniele Hypólito, que não competiu na Alemanha, embarca amanhã para a França. "A Dái ligou depois da prova e estava radiante, porque está conseguindo colocar em prática tudo aquilo que ela treinou a vida inteira. A única queixa, foi o cansaço, disse que hoje ela recomeçava os treinamentos", contou Moacir dos Santos, pai de Daiane. Com o objetivo de trazer uma medalha para o Brasil, na Olimpíada de Atenas, em agosto, a técnica Adriana Alves, do Grêmio Náutico União, clube que Daiane representa desde os 12 anos, explica que Daiane ainda não atingiu o auge de sua forma. "Ela está no pico ascendente de treinamento e vai estar impecável em Atenas", revelou. Qual a receita para o sucesso? "Ela tem uma variação de acrobacias e exercícios de altíssimo nível, ninguém alcança ela. Hoje, ela só perde o posto de melhor do mundo se errar", explicou Adriana. Além disso, a impulsão e explosão muscular da ginasta é outro fator que chama a atenção - em cada "vôo" e acrobacia executada por Daiane, no domingo, ela arrancava aplausos do público. "Ela tem uma resistência muscular excepcional, tanto é que terminou a prova inteira, mesmo gripada", conta Adriana. A força muscular da ginasta é justificada pelo fisiologista Turíbio Leite de Barros. "Nos negros há um predomínio de fibra de contração rápida, responsável pela velocidade e impulsão", explicou. Mas há exceções. Há negros com outros perfis, como os quenianos, que fazem provas de resistência, como maratonas. "A Daiane faz parte do primeiro perfil, pelo próprio bótipo dela." A técnica Adriana Alves concorda com a tese do fisiologista. "O diferencial da Dái está na explosão da musculatura dela, típica da raça negra. Além das fibras musculares rápidas, ela tem um potencial para ginástica fora do normal. Não adianta dizer que é só a genética." Segundo a técnica, não há nenhum mistério no treinamento de Daiane. Os atletas, comandados pelo ucraniano Oleg Ostapenko, técnico da equipe brasileira permanente, não trabalha com peso (musculação). "Há um trabalho específico, com repetição exaustiva das acrobacias e séries. E a Dái não faz nenhum trabalho extra de perna." Outro fator ressaltado pela técnica é que Daiane tem uma resistência muito grande, o que pode ser notado após a prova. "Mesmo gripada, com febre, ela terminou a prova inteiraça." Para a etapa de Lyon, Daiane ainda não apresentará a coreografia Brasileirinho, um arranjo da música do compositor Valdir de Azevedo, montada por Bárbara Laffranchi, técnica da equipe de ginástica rítmica desportiva (GRD), Rony Ferreira e Nádia Ostapenko. A pedido da Confederação Brasileira de Ginástica, Daiane apresentará a nova coreografia primeiro no Brasil. Mas ainda não está definido se será na etapa do Brasil, da Copa do Mundo, entre 2 e 4 de abril ou no Campeonato Brasileiro de Ginástica, em julho, em Porto Alegre. As acrobacias e elementos apresentados nas últimas competição não serão modificados, apenas alternados.

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