Ronaldo Milagres/Divulgação - 18/08/2013
Ronaldo Milagres/Divulgação - 18/08/2013

Daniel Chaves, o 'novo Marilson', é esperança brasileira na maratona

Fundista vai estrear em maratonas em Amsterdã, onde já correu como coelho

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2013 | 18h52

SÃO PAULO - O Brasil não conseguiu medalha alguma no Mundial de atletismo e também não foi ao pódio nessa modalidade nos Jogos Olímpicos de Londres, mas o cenário não chega a ser de terra arrasada no esporte. Na última Olimpíada, o país foi o único a emplacar três corredores entre os 15 primeiros, e venceria uma hipotética competição por equipes (Marilson Gomes dos Santos foi o 5º, Paulo Roberto de Almeida Paula chegou em oitavo e Franck Caldeira ficou em 13º).

Em outubro, o Brasil reforça seu time de maratonistas com Daniel Chaves da Silva, que vai estrear nas provas de 42,195km em Amsterdã. A estreia de Daniel, que já foi chamado de "o novo Marilson" devido aos impressionantes resultados no início da carreira, é aguardada no meio do atletismo nacional.

Daniel é um dos poucos brasileiros capazes de dar uma resposta ao domínio africano nas provas de rua. Na Corrida de Reis, em Cuiabá, prova que tradicionalmente recebe destaques da São Silvestre, Daniel foi o único não-africano num pódio com cinco atletas. Ele chegou apenas dez segundos depois do queniano Edwin Rotich, campeão da São Silvestre do ano passado. "Eu era o Brasil", disse ele na época.

Foi justamente na São Silvestre que Daniel buscou inspiração para tentar carreira no esporte. Muito magro na adolescência, ele não imaginava que pudesse se tornar um atleta, até que viu o igualmente leve Paul Tergat subindo a Brigadeiro Luiz Antônio com toda a força. No dia seguinte, fez sua primeira corrida pelas ruas de Petrópolis, que não durou quatro quarteirões.

Depois, a "carreira" foi retomada, e por necessidade. "Minha história é parecida com a dos quenianos, que vão correndo para a escola. Eu também comecei a fazer isso, porque minha escola ficava a cinco quilômetros de casa. Venho de família humilde, e não era todo dia que eu tinha dinheiro para a condução. Aí comecei a correr".

Fanático por esportes, Daniel voltava ainda mais rápido da escola, apesar de o percurso ser uma subida. "Eu corria mais rápido na volta, porque queria ver o Globo Esporte", diz o palmeirense.

Depois de três anos correndo como amador, Daniel foi procurar a equipe Pé de Vento, pela qual corria Ronaldo da Costa, que chegou a ser o homem mais rápido do mundo na maratona. Em agosto de 2005, ele estreou correndo uma prova de 10km em 34min24. Em pouco menos de um ano, melhorou o resultado para 30min07. "O doutor Henrique Viana (treinador da Pé de Vento) disse que só viu um outro corredor evoluir tão rápido: o Ronaldinho".

Recordista brasileiro sub-23 nos 10km (28min49s42), Daniel fica lisonjeado com as comparações com Marilson e Ronaldinho, mas diz que quer correr em raia própria. "Ainda não tenho as marcas do Marilson, mas quero ter. Pretendo ser não o novo Marilson, mas o novo Daniel Chaves. Meu caminho, minha história e meus títulos serão diferentes. O que quero é ter a humildade e o profissionalismo que tem o Marilson".

O primeiro passo pode ser dado em Amsterdã, prova da qual foi coelho (corredor encarregado de marcar o ritmo) por duas vezes. "O Daniel se sente muito à vontade em Amsterdã, e acho que numa primeira tacada ele pode correr em 2h11min ou 2h12min. Sabemos que um tempo desses é insuficiente para ele conseguir um grande resultado na maratona olímpica de 2016, que é o nosso objetivo, mas teremos tempo para evoluir até lá", diz o treinador do fundista, Jorge Luís da Silva.

"O atletismo brasileiro vai dar sua grande cartada na maratona. A prova vai ser na nossa terra, e teremos lá todos os nossos incentivadores. São fatores importantes e produtivos para conseguirmos um grande resultado", diz Daniel.

     

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