Danilo é o responsável pelo equilíbrio

Experiente meia, de 33 anos, campeão em 2005, tem a confiança de Tite para acelerar o time ou cadenciar o jogo

FÁBIO HECICO, ENVIADO ESPECIAL / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h05

A barba por fazer o deixa com cara de mau. O olhar fixo, sério, dentro de campo, é para tentar intimidar e desestabilizar o marcador adversário. Aos 33 anos, o meia Danilo, na verdade bom moço e considerado um gentleman por todos com quem trabalha, virou o coração do Corinthians. Tudo passa pelos pés do maestro. Hoje, em La Bombonera, se o Boca Juniors tem Riquelme, o Corinthians se orgulha de dizer que contará com o camisa 20.

Meia esquerda de chute forte e passe preciso, Danilo está vivendo temporada diferenciada na carreira, com mais presença no ataque e com gols decisivos. Para se ter uma noção de sua importância, basta olhar os números: em 129 jogos pelo Corinthians, de 2010 para cá, foram 14 gols, sete apenas em 2012, no qual é o artilheiro corintiano no ano e também na Libertadores, com quatro.

Danilo virou arma ofensiva no jogo aéreo (são cinco gols de cabeça) e também o homem para cadenciar a partida, esfriar o ânimo dos rivais na hora da pressão. Por ter um toque de bola refinado, ele recebe a orientação de Tite para nem sempre acelerar as jogadas. Em lance de contragolpe, sim, ele "faz o time correr". Na hora do perigo, aposta na tática argentina, o "toque me voy", as famosas tabelas curtas, para "pôr ordem na casa", como gosta de frisar Tite.

Sinônimo de companheirismo e dedicação, já que nunca deixou de trabalhar ou questionou sua posição, mesmo quando era preterido até do banco de reservas, Danilo deu a volta por cima, hoje é titular inquestionável e virou um porta-voz do elenco, já que tudo o que fala é bem aceito pelo grupo.

Então, eis o que ele acredita ser possível esta noite. "Temos condições de vencer em Buenos Aires. Sabemos que não será nada fácil e a equipe do Boca é de qualidade. Mas, para sermos campeões, temos de superar tudo isso", enfatiza, já com a receita do combate. "Jogando da mesma forma que fizemos até agora. Atuamos no mesmo estilo dentro e fora de casa e não podemos mudar só porque será contra o Boca Juniors."

Danilo já tem um título da Libertadores com o São Paulo, em 2005. Naquele ano, ele brilhou em solo argentino, mas diante do River Plate, na semifinal. Agora, ele espera repetir numa "cancha" com poucos quilômetros distantes de onde mostrou seu talento. Tudo para deixar encaminhado mais um título na carreira, que dá inveja para muitos.

Ele se profissionalizou em 1999, no Goiás. E, de lá para cá, apenas nos anos de 2004 e 2010 não ganhou títulos. No mais, no mínimo uma volta olímpica por temporada, como destaque e com participação decisiva nas conquistas.

Maestro, porta-voz, exemplo ao grupo e também talismã.

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