Danilo se diz culpado: ''Mas não sou bandido''

Zagueiro palmeirense depõe na delegacia após ofensa racista a Manoel, flagrada pela TV, e já se prepara para punição

Bruno Lousada e Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

O zagueiro Danilo está consciente que vai perder alguns jogos do Palmeiras na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro. Arrependido, o atleta se desculpou publicamente ontem por ter cuspido em Manoel, zagueiro do Atlético-PR, e por tê-lo chamado de macaco na vitória por 1 a 0 anteontem, no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, no Palestra Itália.

Após a partida, Manoel e o advogado do Atlético, Alfredo Ibiapina, foram ao 23.º Distrito Policial, em Perdizes, e registraram o caso como injúria qualificada por discriminação racial. A pena varia de 1 a 3 anos de prisão. "Vamos ainda ouvir algumas testemunhas, como o goleiro Marcos, e solicitar as fitas de vídeo do jogo", disse o delegado Marco Aurélio Batista. "Em 15 dias quero encerrar o caso e passá-lo à Justiça, se preciso."

Danilo foi à delegacia acompanhado do advogado do Palmeiras, André Sica, e de quatro seguranças do clube. Prestou, esclarecimentos por 1h40. "Conversei com minha esposa e quis ir (à polícia) para entender mais. Talvez eu deveria saber mais da lei, mas hoje só sou jogador de futebol", contou, acreditando não ser punido na esfera policial. "Eu errei, mas não sou marginal. Fiquei surpreso que o caso terminou na polícia. A gente só acompanha esses casos na televisão. Na própria delegacia me falaram que ele estavam lá para prender bandido e não por palavreado hostil dentro do gramado."

Aos 21 minutos do primeiro tempo, Danilo e Manoel se estranharam. O atleticano deu uma cabeçada no palmeirense e depois levou o cuspe na cara. As câmeras mostram o exato momento da agressão, assim como a ofensa de Danilo. "Ele também me ofendeu e xingou minha mãe, mas são coisas que acontecem no jogo, o palavreado no futebol é esse", contou o zagueiro alviverde. "Aí ele me deu a cabeçada e eu perdi a razão. Quero pedir desculpar ao Manoel, estou arrependido", falou o zagueiro alviverde. "Ele é um ser humano e isso não se faz." Danilo não esperara tanta repercussão do caso. "Eu sou xingado e xingo também. Achei que as coisas iriam se apaziguar depois do jogo."

Se Danilo e o Palmeiras acreditam que vão conseguir chegar a um acordo na Justiça, o mesmo não ocorre na esfera esportiva. Os dois zagueiros podem ser suspensos preventivamente e ficar de fora do jogo de quarta-feira, em Curitiba.

De acordo com o procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt, não há tempo de julgar os atletas antes do confronto e vai solicitar a suspensão de ambos. "Como a infração não está na súmula e eles não foram expulsos, a coisa pode ficar pior no jogo de volta. Isso pode insuflar as duas torcidas", alertou. Ele vai denunciar Danilo e Manoel segunda-feira.

Pela cusparada em Manoel, a pena varia entre seis e 12 partidas. Já pelo ato discriminatório, o defensor palmeirense pode pegar ganho de cinco a 10 jogos, além de multa financeira de R$ 100 a R$ 100 mil. "É natural que vou levar um gancho. Só não queria perder o próximo jogo."

Já Manoel vai ser indiciado por ato hostil tanto pela cabeçada quanto pelo pisão em Danilo (no segundo tempo). A pena por cada uma das infrações varia de uma a três partidas.

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