Dardo: uma aposta para Pequim 2008

Incentivado por vizinhos na pacata cidade de Paranavaí, de 80 mil habitantes e a 500 quilômetros de Curitiba, Júlio César Miranda de Oliveira começou a praticar atletismo aos 11 anos. "Meus amigos já treinavam e eu ficava em casa à toa. Um dia resolvi acompanhar os treinos e gostei", diz o garoto, hoje com 17 anos e campeão mundial juvenil do lançamento do dardo.No começo, fazia um pouco de tudo: provas de velocidade e longa distância, até descobrir os lançamentos. "Desde o começo senti que levava jeito para o dardo. Aos 14 anos, fui campeão sul-americano de Menores com 66,10 m", disse.Dois anos depois, Júlio César mudou-se para São Paulo, para treinar na equipe BM&F de São Caetano, a convite do técnico João Paulo Alves da Cunha. Com a mudança, o garoto teve de abrir mão da família e dos amigos para correr atrás de seu sonho. Mora em uma república de atletas em Santo André e treina diariamente, cerca de quatro horas, no Clube São José. "Quando o vi em uma competição no Paraná conversei com o ?Mimi? (Ademir Nicola), técnico dele em Paranavaí, e disse que quando ele não tivesse mais estrutura e condições para evoluir por lá gostaria de treiná-lo", conta João Paulo.No Mundial de Menores, em julho, em Sherbrooke, no Canadá, Júlio César atingiu sua melhor marca no dardo: 81,16 m. "Sabia que teria grandes chances, mas não imaginava voltar com a medalha de ouro. Foi uma grande surpresa", conta.Animado com o resultado no Mundial, Júlio faz planos para 2004. Além do Troféu Brasil, de 3 a 6 de junho, no Conjunto Esportivo do Ibirapuera, participará do Sul-Americano e do Mundial Juvenil. "Será um grande desafio, porque entrarei para a categoria juvenil e estarei em desvantagem", fala, ao referir-se à idade da categoria - 18 e 19 anos.O calendário deste ano já foi cumprido e, enquanto aguarda as próximas competições, além de treinar está feliz com mais uma conquista: foi aprovado para o curso de Aviação Civial da Universidade Anhembi Morumbi. "Piloto de avião? De jeito nenhum. Quero ser gestor de aeroportos", diz. A inspiração surgiu das últimas viagens que o garoto fez para competir. "De tanto passar pelos aeroportos, acabei me interessando."Além de ser aprovado no vestibular, ganhou uma bolsa de estudos na universidade graças ao atletismo. "Além de participar das provas vou competir pela faculdade. Sou um cara de sorte."O técnico João Paulo tem muitos planos para o garoto: "Será um atleta olímpico, mas não agora. O primeiro objetivo já foi atingido, com a conquista do Mundial de Menores. Agora tem mais dois anos de categoria Juvenil. Em 2008, estará na Olimpíada de Pequim. Aposto em uma final olímpica. Esse garoto vai longe", garante o treinador.

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