De ''acabado'' a herói de novo em apenas 2 anos

Acabado. Superado. Aposentado. Mesmo depois de ser um dos destaques da seleção brasileira na conquista do pentacampeonato mundial, em 2002, na Ásia, Marcos sofreu com as críticas e com as contusões que o perseguiram nos últimos seis anos. Sempre de bom humor, sem nunca rebater as opiniões, o goleiro do Palmeiras superou a má fase e voltou a ser o São Marcos. "Acho que neste mês não vou receber salário. Não jogo faz tanto tempo, que nem lembro do último jogo", brincou Marcão, como é chamado pelos companheiros de equipe, em 2006, durante as intermináveis sessões de fisioterapia na Academia de Futebol.Na época, Marcos assistia de longe aos amigos Sérgio e Diego Cavalieri, que brigavam pela camisa 1. O técnico era Emerson Leão, que logo ao chegar no clube o colocou em treino intensivo. "Não quero o Marcos para dois jogos e depois ficar sem ele em mais três. Preciso dele inteiro e em todos os jogos", afirmou o treinador naquele momento.O planejamento deu certo, mas as contusões continuavam. Depois da canela e tornozelo (1997), punho esquerdo (2000), dedo mínimo direito e polegar direito (2001), problema no pulmão, no quadril, abdome, coxa e pé direito (2003), polegar esquerdo e punho esquerdo (2004), punho e dedo anelar esquerdo (2005), coxa e ombro direitos (2006), veio a fratura no braço esquerdo em 2007. Cogitou-se o fim da carreira.Marcos só voltaria a ser titular no Campeonato Paulista de 2008, na derrota para o Guaratinguetá, por 3 a 0, em Rio Preto. Vanderlei Luxemburgo estava no comando do time e manteve o goleiro, apesar do resultado negativo. Marcos não decepcionou. Foi um dos destaques na conquista do Paulista. No Brasileiro, também foi bem e ajudou a equipe a ficar com uma vaga na Libertadores. Sábado, São Marcos completa 17 anos de Palmeiras, com 34 cobranças de pênalti defendidas, três delas contra o Sport, anteontem, que garantiram a vaga nas quartas de final da competição sul-americana. O que bastou para muitos que há bem pouco tempo o chamavam de "ultrapassado" agora sonharem com um retorno à seleção. "Não faz mais parte dos meus pensamentos. Tenho 36 anos e existem goleiros mais jovens. Minha prioridade é o Palmeiras."

Wilson Baldini Jr., O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.