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De empate em empate...

Durante muito tempo Tite se manteve fiel ao esquema tático implantado no Corinthians. Nas trocas, evitou fazer adaptações ou mexer na estrutura da equipe. Funcionou até o momento da degradação técnica, tática e psicológica da fórmula que levou o clube aos títulos mais importantes de sua história.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2013 | 02h06

A desclassificação para o Grêmio na Copa do Brasil teve a cavadinha de Alexandre Pato como símbolo da decadência. Depois dela, o mínimo a fazer contra o Santos, no clássico em Araraquara, era cada um demonstrar seu incômodo com a situação. E correr.

Com pressão na saída de bola do adversário, como nos bons tempos, mesmo com muitos jogos nas costas e calor na cabeça, o Corinthians mostrou sua força. Mas durou pouco, até mais ou menos os 30 minutos do primeiro tempo, depois do gol de Douglas, até aquele momento um jogador imperceptível à marcação de Arouca e Alisson. Controlador dos passes no meio de campo, o camisa 10 foi além do gol, fez o time jogar e ajudou a manter o Santos acuado. O gol, a alta temperatura e o adversário ferido fizeram a equipe de Claudinei Oliveira finalmente entrar na partida.

Nem de longe havia em campo um time moldado na ortodoxia de Tite. Diego Macedo, lateral de ofício, jogou na linha de meias ao lado de Douglas e de um voluntarioso Emerson, que desde a final da Libertadores não se apresentava para um jogo com tanta fome. Alessandro, mais uma vez, quebrou o galho na lateral esquerda e Renato Augusto atuou como atacante.

E assim foi o Corinthians, por 30 minutos abraçado ao passado, com muita vontade e com postura agressiva, enquanto foi possível correr. Quando a marcação ruiu, o Santos tomou conta, mesmo com William José e Everton Costa inofensivos. Entre o fim da primeira etapa e a metade da segunda, os santistas comandaram o clássico.

Dificilmente Corinthians e Santos vão deixar uma boa lembrança nesse final de Brasileirão. O negócio agora é permanecer na elite e pensar nas contratações de 2014. No caso de Claudinei Oliveira, o treinador paga caro por ser uma novidade na área e por comandar a reconstrução da equipe após a passagem de Neymar.

E por falar nele, o garoto foi muito bem no seu primeiro clássico contra o Real Madrid. Marcou um gol e deu uma assistência na vitória sobre o rival por 2 a 1. Aos poucos, Neymar vai executando o que se esperava dele.

Em 15 partidas oficiais na temporada, o treinador Gerardo Martino já sabe que possui um jogador capaz de desequilibrar qualquer confronto. Ainda incomparável a Messi, óbvio, mas pronto para surpreender. Pronto para ser, inclusive, uma alternativa. Se continuar nesse rumo, em breve o Barcelona de Messi será também o Barcelona de Neymar.

Voltou. Não se considerava a hipótese de o Palmeiras não retornar à Primeira Divisão. As questões em pauta eram outras, quando e como subiria, fundamentais para se entender os próximos movimentos e tentar estabelecer as perspectivas para o futuro.

Foi uma etapa difícil da história do clube, que pela segunda vez baixou de divisão. O caminho de volta teve números mais atraentes do que o futebol apresentado pelo time. Muitos se decepcionaram com o empate diante do São Caetano, o jogo que determinou o retorno.

Hoje, no futebol, já não basta apenas torcer, é preciso entender um pouquinho mais sobre os fatores que condicionam o resultado. No caso do Palmeiras, seria injusto não considerar que a diretoria foi eleita somente no final do mês de janeiro. E, portanto, começou a trabalhar muito tarde.

Por mais que o torcedor identifique problemas apenas dentro do campo, as grandes questões estão fora dele. No caixa, na política interna e na profissionalização da administração.

Lamentavelmente ainda é forte no Palmeiras a pressão para manter a instituição no atraso, mergulhada no amadorismo que de certa forma contribuiu para o segundo rebaixamento em 10 anos. A primeira etapa do trabalho está feita.

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