De Ganso até Cotia

N ão é fácil contratar Paulo Henrique Ganso, o jogador capaz de produzir a venda de 42 mil ingressos dois dias antes de sua estreia. Exatamente porque é difícil comprar craques assim, o São Paulo pensa há anos em transformar o CT de Cotia em um centro de excelência na formação de seus jogadores.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2012 | 02h05

Daí o espanto pela saída de René Simões semana passada. René foi contratado como diretor das divisões de base. Sua missão não seria apenas formar, mas fazer a difícil transição dos garotos para o time de cima. Não conseguiu.

Saiu dizendo ter criado critérios objetivos e não ter atingido objetivos como diminuir o número de jogadores em cada categoria. O sub-14 tem 51 atletas e só existem 18 lugares a cada partida. O problema disso é o desperdício. É formar talentos, para mais tarde serem aproveitados pelos rivais. Exemplo: o Corinthians campeão da Libertadores tinha Paulo André, Leandro Castán, Romarinho e Emerson. Todos passaram pelas divisões de base do Tricolor.

O outro lado: o São Paulo chegou à conclusão de que René não é o homem ideal para dirigir as divisões de base. Oficialmente, justificou a demissão com a necessidade do treinador se dedicar às suas atividades extra futebol - restaurantes no Rio, palestras pelo Brasil.

Extraoficialmente, o clube reclama de atitudes de Renê, como dar palestra motivacional aos jogadores do Atlético-GO dias antes do jogo contra o São Paulo. René tem várias observações sobre a dificuldade de impor seus métodos em Cotia. Mas a demissão foi decidida pelo patrão.

O problema não é saber quem tem razão, mas como o São Paulo conseguirá ter, de fato, o centro de excelência planejado há dez anos.

Em 2002, o diretor contratado foi Cilinho, famoso por na função de técnico, para formar a geração dos Menudos, Silas e Muller, quando Juvenal Juvêncio era diretor de futebol. Cilinho fracassou. Veio Bebeto de Oliveira, preparador físico no tempo de Cilinho. Seu trabalho foi bom, o aproveitamento não. Muricy Ramalho era resistente à utilização dos jogadores de Cotia, sob o argumento de não estarem prontos.

René Simões era a esperança de fazer bem a transição com os profissionais. Não foi e durou pouco. Um dos critérios estabelecidos por René Simões era que cada jogador recebesse avaliação, partida a partida, de cinco de seus técnicos.

É o que o São Paulo deve fazer consigo próprio. René Simões também.

No dia em que as duas partes pensarem sobre o que está errado, o São Paulo voltará a ser campeão de tudo.

Transição. É provável que a quarta-feira registre reunião entre os candidatos à presidência do Palmeiras e o atual mandatário, Arnaldo Tirone. Seria o primeiro passo para acertar a montagem de uma equipe de consenso e sair à caça de reforços para a temporada 2013.

Sem essa comissão de transição será impossível seduzir jogadores para jogar pelo Palmeiras. A lógica da montagem da nova equipe é a manutenção do técnico Gilson Kleina, para indicar os atletas.

Se cumprir essa missão duríssima de fazer uma transição negociada entre os candidatos, Arnaldo Tirone prestará um último - e bom - serviço ao clube.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.