De olho em imagem, presidente transforma Pelé em escudo

Dilma teve craque e Blatter ao seu lado na maior parte do evento e está convencida da importância do sucesso da Copa

João Domingos, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

Ao contrário do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que usava metáforas sobre futebol em boa parte de seus discursos durante os oito anos em que governou o País, a presidente Dilma Rousseff envolve-se pouco com o esporte preferido dos brasileiros. Mas, mesmo com esse distanciamento, ela conseguiu dar um drible no presidente da CBF, Ricardo Teixeira, coisa que Lula não fez. Ainda por cima, Dilma tabelou com o craque Pelé para deixar Teixeira para trás.

O convite para que Pelé seja o embaixador honorário na Copa do Mundo de 2014 foi uma jogada política da presidente para isolar Teixeira na cerimônia de sorteio dos grupos das Eliminatórias, ontem, no Rio. Tendo-o na condição de embaixador honorário, foi Pelé, e não Teixeira, que esteve ao lado da presidente na hora das fotografias oficiais. No outro lado, o lugar é do presidente da Fifa, Joseph Blatter.

De acordo com auxiliares da presidente, a escolha de Pelé para a função de embaixador foi feita por Dilma há pelo menos 15 dias, quando esteve no Rio para os Jogos Mundiais Militares.

A presidente teve uma conversa longa com Pelé na sala vip do Aeroporto Tom Jobim, quando o convenceu a ser não só embaixador honorário para a Copa do Mundo como também uma espécie de olheiro do governo em tudo que diz respeito ao torneio.

Ainda conforme auxiliares da presidente, ela sabe que vez por outra há uma denúncia contra Ricardo Teixeira e suspeitas de envolvimento dele em manipulação de resultados para a escolha de sedes futuras da Copa do Mundo. Para evitar que Teixeira explorasse o fato de estar ao lado dela durante o sorteio, cerimônia que foi transmitida para todo o mundo, Dilma protegeu-se em Pelé e em Blatter.

A presidente considera que a Copa tem de dar certo e não pode ficar apenas nas mãos da CBF. Para não atropelar a entidade, que é particular, Dilma está buscando ajuda nos governadores dos Estados e nos prefeitos das cidades onde haverá jogos da Copa de 2014. Numa reunião realizada com eles há dois meses, em Brasília, Dilma disse que todos têm de se engajar na organização.

"Nós temos de passar a imagem de que a Copa vai sair e com muito brilho. Vocês cuidem dos estádios que eu vou cuidar dos aeroportos. Essa é a prioridade de cada um. Vocês têm de ajudar o governo federal a mostrar que faremos a melhor Copa de todos os tempos", disse Dilma.

Ela lembrou que o novo Estádio Mané Garrincha, em Brasília, já está com 35% das obras prontas. E logo poderá ostentar os anéis das arquibancadas, o que dará a impressão até de que está num estágio mais avançado.

Também de acordo com informações de assessores da presidente, embora não seja uma expert em futebol, Dilma tem feito perguntas frequentes sobre o assunto e comenta até as convocações do técnico Mano Menezes. Ao contrário de muitos brasileiros, que já torcem o nariz para a escalação do meia Robinho, do Milan, por exemplo, Dilma acha certo Mano mantê-lo entre os titulares.

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