De olho nos lucros, empresa cria bola nova para a final

A alemã Adidas exibe a Jo'bulani, criada apenas para a decisão do Mundial, como já havia feito em 2006

Ana Paula Garrido, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

Pela segunda vez, a Copa do Mundo terá, além da bola preparada exclusivamente para o evento, uma outra produzida especialmente para a final, a ser disputada em 11 de julho. A única diferença, porém, está no design. O modelo oficial, lançado em dezembro, é chamado de Jabulani, que significa "comemorar", e tem 11 cores ?para representar os 11 jogadores e as 11 línguas oficias da África do Sul. Já a bola da decisão, apresentada ontem por Carlos Alberto Parreira, técnico da seleção sul-africana, e pelo ex-jogador alemão Franz Beckenbauer, se chama Jo"bulani ?mistura de Johannesburgo (local da partida final) com Jabulani?, e foi feita nas cores branca e dourada, para simbolizar a cidade, conhecida pelas suas minas de ouros.

O segundo modelo vem incrementar as oportunidades comerciais da Adidas, fabricante oficial da bola desde 1970, que faturou mais de US$ 15 milhões (R$ 26 milhões) na edição passada. "A segunda bola foi criada por dois motivos. Em primeiro, por causa do marketing, já que ela se torna mais uma novidade no mercado, e também foi uma forma para homenagear a cidade de Johannesburgo", explicou o gerente de futebol da Adidas no Brasil, Daniel Schmid.

Em termos tecnológicos, a bola não oferece vantagem às equipes finalistas, em relação aos demais países participantes. Porém, as seleções não terão do que reclamar, segundo Schmid. O produto, que levou mais de três anos para ser desenvolvido, vem com mais precisão e estabilidade. Nem mesmo as condições climáticas poderão interferir no resultado de uma partida. "Os "grooves", espécie de riscos nos gomos, permite a passagem de ar, evitando qualquer oscilação, em função do tempo. Situação bem diferente da presenciada na Copa de 1930, quando a bola de couro ficava excessivamente pesada, se molhasse.

Na época, além deste problema, os atletas tinham de lidar com o "tento" ? cadarço de couro usado para amarrar a câmara de ar dentro do capotão?, que atrapalhava na hora de cabecear. Hoje, os jogadores não têm problemas, seja para cabecear, chutar ou mesmo defender. Os goleiros assim como os jogadores terão condições de controlar a direção da bola, segundo o representante da Adidas.

Evolução. Desde quando começou a fabricar as bolas para a Copa do Mundo, a Adidas passou por três fases. De 1970 até 1998, a empresa focou no desenvolvimento de materiais externos. "Os gomos eram iguais, o que mudava era o produto do revestimento. O objetivo era tornar a bola mais macia e resistente", recordou Schmid.

Em 2002, a bola passou a ser costurada em três camadas, melhorando seu poder de precisão. A Copa passada marcou outra revolução, em que a costura deu lugar à tecnologia de colagem térmica. A superfície ficou totalmente lisa. "Este ano, também damos outro passo importante, com as micro-estruturas, que dão mais precisão ao produto", afirmou o gerente de futebol.

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