UFC/Divulgação
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De origem humilde, Cain Velásquez dá entrevista exclusiva e elogia Cigano

Lutador de MMA vai enfrentar o brasileiro na luta principal do UFC 166, sábado, em Houston

Guilherme Dorini e Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2013 | 07h18

SÃO PAULO - O norte-americano Cain Velásquez será a pedra no sapato de Júnior Cigano no próximo sábado, em Houston, quando o brasileiro tentará tirar no octógono o cinturão dos pesados do rival no UFC 166. No primeiro confronto entre os dois, deu Cigano. Na revanche, Velásquez levou a melhor e ficou com o título. Agora os dois terão a chance de ver quem é o melhor na trilogia.

Os dois são considerados os melhores lutadores da categoria no momento no MMA (artes marciais mistas) e têm em comum uma infância humilde. Assim como boa parte dos lutadores brasileiros, que usam o esporte para tentar sair da pobreza, Velásquez também teve uma infância difícil. Seu pai Efrain tentou seis vezes sem sucesso entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Conseguiu na sétima vez e começou ganhando a vida nas colheitas de alface em fazendas na Califórnia e Arizona. Nesta entrevista exclusiva, Cain fala sobre esse momento e sobre a expectativa de manter o cinturão.

O que você espera da revanche com o Cigano?

CAIN VELÁSQUEZ - Ele é um lutador duro, está sempre melhorando e mostrando um nível técnico alto. Será uma revanche difícil. É isso que sinto desse combate.

Nas duas lutas entre vocês, o cinturão mudou de mãos. O que vai fazer para manter o título?

CAIN VELÁSQUEZ - Estou sempre me aprimorando para manter o cinturão. Eu acho que nessa luta vou poder aplicar meu estilo e minha estratégia. Sempre assisto às lutas anteriores, principalmente a segunda que ganhei, e sei que tenho muito a melhorar.

O Brasil tem bons lutadores em sua categoria de peso, como Cigano, Fabrício Werdum, Antônio Pezão, Minotauro... É diferente enfrentar os brasileiros? 

CAIN VELÁSQUEZ - Não, é a mesma coisa. Existem muitos bons lutadores por aí, especialmente na categoria dos pesos pesados.

Você não é tão alto quanto seus adversários do peso pesado. Só para citar essa luta de sábado, você possui 1,85 m e o Cigano tem 1,93 m. Como consegue continuar vencendo apesar da estatura menor? 

CAIN VELÁSQUEZ - Eu não sei. Acho que tem mais a ver com meu jeito de lutar. Existem caras maiores que eu, mais altos, mas aproveito minha velocidade para superá-los. Tenho de ser mais rápido que eles. Também utilizo meu boxe, meu wrestling, misturo tudo que sei e faço o melhor.

Você gostaria de lutar no México ou Brasil alguma vez? 

CAIN VELÁSQUEZ - Com certeza. Eu amaria lutar no México. Meu treinador de jiu-jítsu, Leandro Vieira, me fala muitas coisas boas do Brasil, eu nunca estive no País, mas gostaria de ir para o Brasil algum dia e fazer uma luta lá.

Seus pais trabalharam em fazendas para te sustentar. Essa realidade é parecida com a de muitos atletas brasileiros, que também vieram da pobreza. Como foi sua infância e o que isso te ensinou?

CAIN VELÁSQUEZ - Meus pais trabalharam no campo, no México e depois aqui nos Estados Unidos, eles sempre trabalharam duro o dia todo, nunca reclamaram de nada, apenas sabiam que tinham de fazer alguma coisa para conseguir dinheiro. Eu acho que peguei um pouco disso deles. Eu via eles trabalhando daquele jeito e me espelhava nisso para praticar o esporte. Isso que eles me ensinaram, que você tem de trabalhar duro, seja com o que for, para alcançar seu objetivo, eu nunca esquecerei. Sei que é necessário muito esforço para atingir algo e é nisso que eu acredito.

 Para finalizar, quais são seus sonhos para além da luta contra o Cigano?

CAIN VELÁSQUEZ - Hoje eu só quero manter o cinturão e continuar como campeão pelo maior tempo que eu conseguir. Isso que eu desejo agora, é para isso que trabalho. Esse é o objetivo, continuar sendo o campeão.

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