De saída, Mamedes conturbam judô

Depois de 21 anos no comando da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), a família Mamede prepara-se para deixar o poder. Joaquim Mamede Jr., há 10 anos no cargo de presidente (substituiu o pai, que, na verdade, administra a entidade como superintendente-geral), desistiu de concorrer à reeleição. A saída de cena, porém, não é pacífica. Coerente com os métodos pouco democráticos, os atuais dirigentes do judô tentam conturbar o processo eleitoral, decretando intervenções em federações.A família Mamede apóia oficialmente a chapa Conciliação Nacional, encabeçada por Luiz Carlos Novi, diretor da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU). A outra chapa, a Avança Judô, é liderada pelo ex-técnico da seleção Paulo Wanderley Teixeira.Em pouco mais de duas semanas, Joaquim Mamede Jr. nomeou interventores para as federações do Maranhão e do Ceará, cujos presidentes eram alinhados com a CBJ, mas mudaram de posição após a desistência da situação de disputar a eleição e agora apóiam Paulo Wanderley. "É um absurdo que não pode continuar", protesta o candidato. A próxima intervenção pode ser na Federação Catarinense. "Temos apoio de 16 dos 25 presidentes de federações e o objetivo da CBJ é claro ao conturbar as eleições", acusou o candidato Paulo Wanderley.O departamento jurídico da chapa tenta obter liminares na Justiça para reconduzir os presidentes aos cargos até a eleição, dia 16, no Rio.Luiz Carlos Novi mantém-se distante da discussão. Mas confirma que pode compor, no futuro, com a chapa adversária caso vença. "Nossos princípios são bem semelhantes."O judô é um esporte vencedor na história olímpica brasileira - nos tatames foram conquistadas duas medalhas de ouro, três de prata e cinco de bronze, em seis olimpíadas. Fora do cenário de luta, porém, a modalidade viveu momentos de turbulência, principalmente por causa da maneira polêmica como a família Mamede administra o esporte. Por Mamede pai ter sido condenado pelo Tribunal de Contas da União por mau uso do dinheiro público, a CBJ não pode receber verbas federais, o que compromete a preparação das equipes oficiais.

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