De tirar o fôlego!

Havia vários indícios para imaginar que São Paulo e Santos travassem belo duelo, sobretudo pela fase de recuperação que vivem no Brasileiro. Mas não precisavam exagerar. Ambos fizeram clássico primoroso. O primeiro tempo foi antológico, com ritmo desvairado, virada, cinco gols nos 20 minutos iniciais, lances bonitos, defesas difíceis e emoção. Encontro de tirar o fôlego - dos jogadores e dos torcedores. De quebra, o placar se definiu no finalzinho e deixa emboladas brigas pelo título, pois o Santos estacionou nos 48 pontos, e pela Libertadores, já que o São Paulo foi a 44. Não sou doido de cravar, a esta altura, favoritismo para nada.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2010 | 00h00

A 30.ª rodada foi alucinante desde a largada, na tarde de sábado. O Inter perdeu feio para o Flamengo (3 a 0), empacou nos 47 pontos e dava a impressão de despedir-se da luta pelo tetra. Por tudo o que aconteceu ontem, o campeão continental não é carta fora do baralho. Já o Atlético-PR está vivinho da silva, na corrida pela América, porque foi a 46 pontos, ao bater o Goiás por 2 a 1.

Animadíssimo está o Grêmio, com campanha impecável no returno. O time gaúcho deixou a Série A mais equilibrada após os 2 a 1 pra cima do Cruzeiro, no Olímpico. Também alcançou a marca dos 46 pontos e está de olho no terceiro lugar. O clássico em Porto Alegre não teve momentos épicos, mas valeu pela virada. O Cruzeiro, líder com 54, tem a lamentar gol de Wellington Paulista anulado quando o jogo ainda estava no 1 a 1. O bandeirinha viu impedimento estranho ou alguma assombração.

Por falar em auxiliares, os assistentes de Salvio Spinola trabalharam até mais do que os goleiros, no empate de 0 a 0 entre Guarani e Corinthians, em Campinas. Ednilson Corona, especialmente, parou Ronaldo com mais eficiência do que os zagueiros bugrinos. Ele invalidou dois gols do fortinho Fenômeno. No primeiro, até daria para alegar que o atacante carregou com o braço, depois de dividir com Douglas. Seria discutível. No segundo, foi golpe de vista errado mesmo, em lance normal e gol legal.

O Corinthians anda sem glamour e guardou o terceiro ponto nos últimos 21 disputados. Mas foi menos vulnerável do que em jogos anteriores, com a opção de Fábio Carille de entrar com Chicão, William e Leandro Castán na zaga. Ronaldo ficou em campo o tempo todo, se bem que na segunda metade desapareceu. E não está à vontade, a ponto de revelar impaciência que lhe é incomum e interromper abruptamente a breve entrevista que concedia ao final da partida.

Apesar de tudo, o Corinthians continua no páreo, agora com os 50 pontos, por ter acumulado gordura no primeiro turno e porque os que estão à sua frente não deslancham. Caso do Flu, que voltou a debater-se com suas limitações, no 0 a 0 com o Botafogo, mesmo que tenha ficado a um ponto do Cruzeiro.

O final de temporada promete ser dos mais equilibrados dos últimos anos. Incluo aqui a batalha para escafeder-se do rebaixamento. O único condenado é o Grêmio Prudente, time de aluguel que não fará falta.

Enrolação olímpica. Oportuna a entrevista com Carlos Arthur Nuzman, publicada ontem neste caderno de Esportes. Caso típico do falar, falar, falar e não dizer nada. Ou melhor, há dois pontos a destacar no palavrório do dirigente que preside o COB desde 1995: ele reconhece que são necessários centros de treinamentos no Brasil, mas admite não os fez antes por não haver "motivação", que veio agora com o Rio como sede dos Jogos de 2016. Pensei que desenvolver o esporte no País fosse prioridade do COB, independentemente de Olimpíadas.

O segundo aspecto que merece ser ressaltado: na opinião de Nuzman, a seleção de vôlei agiu certo ao entregar o jogo para a Bulgária, no Mundial da Itália. "A equipe trabalhou visando ao título, conseguiu e tem meu apoio." Eu não esperava outra postura.

CHAVES DO JOGO

Os ataques

Com muitos jogadores ofensivos, o jogo foi emocionante desde os primeiros minutos, com várias finalizações de lado a lado

Rogério

Goleiro falhou no primeiro gol santista, mas depois de reabilitou com três boas defesas e ajudou a garantir a vitória são-paulina.

Defesa vulnerável

Setor do atual campeão paulista passou três jogos sem ser vazada, mas ontem, sem proteção do meio-de-campo, sofreu quatro gols em 90 minutos.

Dagoberto

Criticado após a eliminação na Taça Libertadores da América, atacante demonstrou ter estrela ao fazer dois gols e participar de mais um no clássico de ontem.

Neymar

Craque santista teve atuação apagada e só apareceu no jogo ao sofrer pênalti de Alex Silva, aos 26 minutos do segundo tempo. Na cobrança, foi bem e não deu chances a Rogério Ceni.

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