Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Decepção marca fim da gestão Belluzzo

Palmeiras elege nesta quarta substituto do economista, que era a esperança da torcida, mas encerra mandato sob críticas, sem título e com finanças instáveis

Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2011 | 00h00

Há pouco mais de dois anos, o Palmeiras estava em situação complicada, mas o torcedor festejava. Surgia uma luz no fim do túnel e a expectativa de dias vitoriosos. Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, renomado economista e, acima de tudo, apaixonado palmeirense, assumia a presidência aceitando a missão de recolocar o time nos eixos. Nos primeiros meses, chegou a distribuir autógrafos. Agora, deixa o posto com alguns inimigos e uma gestão considerada fracassada pela maioria de conselheiros e torcedores.

Nesta quarta-feira, na Academia de Futebol, cerca de 290 conselheiros escolherão o presidente que o substituirá. Belluzzo não manifestou sua preferência, mas pessoas próximas dizem que ele votará em Paulo Nobre. Salvador Hugo Palaia reclama abertamente da postura de Belluzzo - o atual 1.º vice-presidente gostaria que o amigo lhe desse apoio, como teriam combinado dois anos atrás. Lucrando com o racha na situação, Arnaldo Tirone, da oposição, chega como favorito.

Nenhum dos três candidatos assumirá o cargo com o rótulo carregado por Belluzzo em 2008, o de "salvador". Na prática, não foi o que houve. O dirigente de 68 anos deixa o poder sem títulos, com a economia do clube instável e com o prestígio arranhado. "Tenho pena de quem assumir o Palmeiras", diz Palaia.

Não se pode dizer, no entanto, que o presidente não se esforçou ou poupou dinheiro para formar um time ganhador. Mas as contratações não deram resultado. Em 2009, fracasso no Paulista e na Libertadores. No mesmo ano, após surpreendente anúncio da Traffic de que não negociaria nenhum atleta durante o Brasileiro, todos imaginavam que a hora de uma grande conquista havia chegado. Mesmo com Muricy Ramalho (que substituíra o também caro Vanderlei Luxemburgo) no comando, a equipe que liderou boa parte da competição patinou na reta final e não alcançou nem a vaga na Libertadores. Os altos investimentos não tiveram retorno e as finanças, consequentemente, sofreram forte abalo.

Belluzzo seguiu otimista com o time. O ano passado, porém, foi ainda pior - para esquecer. "Claro que foi uma grande decepção pelo que se esperava dele", comenta Paulo Nobre.

A amigos, Belluzzo diz serem injustas as críticas à sua gestão. Alega ter pago mais de R$ 40 milhões em débitos fiscais e iniciado as obras da Arena Palestra. Mas até do lado financeiro as cobranças são muitas. Os últimos balancetes foram reprovados pelo Conselho de Orientação Fiscal, atrasos no pagamento de direitos de imagem de alguns atletas foram recorrentes e, até novembro, o departamento de futebol tinha dívida de R$ 9,5 milhões.

O Estado vem tentando ouvir Belluzzo há semanas, mas a assessoria do Palmeiras afirmou que o dirigente só vai se pronunciar depois do pleito de quarta-feira.

DOIS ANOS COMPLICADOS

Principais contratações:

Kleber, Lincoln e Valdivia

Técnicos no seu mandato:

Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho, Antônio Carlos Zago e Luiz Felipe Scolari

Fracassos nas 4 linhas:

Em 2009, chegou à semifinal do Campeonato Paulista, caiu nas quartas da Taça Libertadores e terminou em 5.º do Brasileiro. Em 2010, acabou o Estadual em 11.º, perdeu para o Atlético-GO na Copa do Brasil, passou vergonha contra o Goiás na semifinal da Copa Sul-Americana, e no Brasileiro ficou apenas em 10.º

Extracampo

Belluzzo provocou polêmica com suas declarações. Em uma delas, em festa da Mancha Verde, disse: "Vamos matar os Bambis (referindo-se ao São Paulo, em 2009)". No ano passado, sofreu um problema no coração, foi operado e ficou 3 meses afastado. Foi também na sua gestão que o Palmeiras fechou contrato para a construção da Arena Palestra.

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