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Decepcionada, Dayane só quer chorar

Foram 20 anos de ginástica rítmica, deixando tudo de lado. Dayane Camilo era só esta Olimpíada: aqui encerraria sua carreira. Por isso, não resistiu ao choro na saída do ginásio, pelo erro que cometeu, lançando sobre a cabeça o arco que deveria ir exatamente para a mão de Ana Maria Maciel. Sua companheira de equipe teve de correr atrás do aparelho - que chegou a sair do tablado - no meio da segunda apresentação, de arco e bola. A primeira havia sido de fita, ao som da música "Canta, Brasil", quando as brasileiras foram muito aplaudidas. Mas o erro na seqüência acabou empurrando a equipe para o último lugar das oito finalistas. A medalha de ouro ficou com a Rússia, que somou 51.100 pontos; a de prata, com a Itália, que surpreendeu ao somar 49.450, e a de bronze, com a Bulgária, que chegou aos 48.600. As brasileiras da técnica Bárbara Laffranchi já vinham com a última nota na apresentação de fita (21.900) e poderiam tentar aumentar seus pontos justamente no arco e bola, quando a própria Dayane faz um exercício de muita dificuldade - só as brasileiras o apresentam -, passando pelo meio de um "túnel" armado pelas outras meninas. A ginasta fez, acertou, mas o outro erro foi fundamental para puxar para baixo a nota do conjunto. "Estou muito decepcionada comigo, porque trabalhei muito pela ginástica. Por um momento de bobeira... Lancei o arco em cima da minha cabeça. O mais difícil, fiz tudo certo. Treinei muito para estar aqui, deixei de lado muita coisa na minha vida. Não aceito o meu erro", desabafou Dayane, de 27 anos, capitã da equipe. "Não vejo a hora de chegar à Vila Olímpica, me trancar no quarto e chorar, chorar. Chorar tudo." Assim, não foi Ana Maria Maciel que deixou escapar o arco. O aparelho deve ser recebido sem a ginasta sair do lugar, explica. Mas ele não veio para sua mão e a brasileira teve de correr atrás. "A gente treinou muito. Não foi porque não era para ser mesmo. Treinamos bastante, até lá atrás, no aquecimento. Agora? Agora acabou. É férias. Até quando, não sei, mas quero descansar." A ginasta de 17 anos também deixou claro que os critérios da ginástica rítmica, mais técnicos do que em Sydney/2000 por mudança de regulamento, ainda assim dão margem aos juízes de "não enxergarem" o que não querem. Ela explica, citando a precisão que têm de ser os exercícios: a bola é para ser pega com uma só mão e as russas, por exemplo, acabam pegando com as duas mas "passa". Quando somos nós, do Brasil, temos de ficar com a perna levantada um ano, lá em cima. E isso ainda para ver se vale..." A "moda", hoje, na ginástica artística, é a Rússia. "Que, aliás, já ´é moda´ há muito tempo. Mas um dia isso vai mudar. Não sei nem se eu ainda estarei treinando, mas vamos continuar plantando."

Agencia Estado,

28 Agosto 2004 | 13h25

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