Decisão épica

O mundo do esporte estará de olho no Brasil neste fim de semana. São Paulo foi o palco "escolhido'' para a definição de uma das temporadas mais emocionantes da Fórmula 1 nos últimos tempos, motivo pelo qual peço licença aos incríveis Livio Oricchio e Reginaldo Leme para tratar, nesta coluna, do automobilismo, com toda a minha limitação de conhecimento.

Eduardo Maluf, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h11

É fato que a F-1 anda em baixa no Brasil. Rubinho foi embora sem nenhum título, apesar dos vários anos na Ferrari. Massa, depois de ter tocado a mão na taça e perdido o primeiro lugar na volta final em 2008, caiu. E Bruno Senna é incógnita, até hoje não teve carro para tentar buscar espaço digno do sobrenome.

Vivemos anos de ouro com Fittipaldi, Piquet e Senna. Passamos a ser o País do futebol e da Fórmula 1. Grande parte dos brasileiros se acostumou a acordar cedo para assistir aos GPs nos domingos, sobretudo nas décadas de 1980 e 90. Hoje o interesse pela disputa caiu drasticamente aqui. Gostamos do esporte, mas queremos representantes nossos brigando em cima, correndo pelo topo.

Em outros lugares, principalmente na Europa, a F-1 está enraizada na cultura esportiva, independentemente da equipe e do piloto que lideram o campeonato. Os europeus são apaixonados por ela. É mais ou menos como o futebol para nós. Ou será que o palmeirense deixará de ver a bola rolar em 2013 por causa do rebaixamento de sua equipe para a Segunda Divisão?

O GP do Brasil é, de longe, o evento mais rentável, há algum tempo, para São Paulo. Milhares de estrangeiros e brasileiros de outros Estados compram ingressos para o fim de semana de treinos e corrida, lotam os hotéis e congestionam os restaurantes, principalmente as tradicionais churrascarias. Consomem bastante e garantem expressivo retorno financeiro à megalópole.

Tive a sorte de trabalhar na cobertura de alguns GPs na capital paulista. O acontecimento é grandioso, fascinante, e, ao contrário do que muitos pensam, não tem nada de frio - ele mexe com a emoção do público. As provas no Brasil normalmente são emocionantes e imprevisíveis. São Paulo viu a primeira "aposentadoria" de Michael Schumacher - agora verá a segunda -, a conquista de Hamilton nos últimos metros, a bandeirada atrasada de Pelé, uma vitória inesquecível de Senna, o desfile de Gisele Bündchen...

Quem estiver em Interlagos testemunhará mais um capítulo importante do automobilismo. Nada mais recompensador para os brasileiros do que ter, em casa, uma briga pela taça envolvendo dois gigantes: Sebastian Vettel e Fernando Alonso.

Os bicampeões mundiais são daqueles esportistas que não aceitam apenas boa participação. Querem vencer sempre, recusam festa para o segundo lugar. Guardadas as devidas proporções, são arrojados como foi Senna, fazem jus aos milhões que embolsam e dão graça à modalidade que ainda vive crise de credibilidade. São Paulo parece predestinada. Será palco de mais uma decisão épica da F-1.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.