Decisão movimenta quase R$ 900 mi

Segundo estudo, clube campeão vai faturar R$ 312 mi e vice, R$ 184 mi

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

Mesmo diante da pior crise financeira mundial desde o fim da 2ª Guerra, a Copa dos Campeões ainda é uma mina de ouro e a final de ontem pode representar um impulso às debilitadas economias de Reino Unido, Espanha e Itália. O jogo de ontem vai gerar 310 milhões (R$ 878 milhões) à economia europeia, além de clubes, jogadores, patrocinadores e até à cidade de Roma, onde a decisão ocorreu. Essas são as conclusões de um estudo encomendado por uma empresa de cartões de crédito sobre o impacto do evento.Simon Chadwick, responsável pelo levantamento, aponta que até o perdedor, no caso o Manchester, vai lucrar 65 milhões (R$ 184 mi) com a partida. Já o Barça, o vencedor, ficará com 110 milhões (R$ 312 mi). Esses ganhos estão calculados essencialmente na exposição de suas marcas e em potenciais novos acordos com patrocinadores e equipes de todo o mundo para jogos amistosos. O valor ainda inclui os lucros de direitos de TV e até um impacto positivo no aumento da venda de ingressos para qualquer jogo de Barcelona ou Manchester United nos próximos meses. De quebra, cada time ainda levaria mais 15 milhões (R$ 42 mi).Os lucros da Copa dos Campeões, porém, não serão suficientes para acabar com as dívidas dos dois finalistas. O Barça tem um rombo de 189 milhões (R$ 535 mi). Os clubes espanhóis vivem uma espécie de falência técnica, com dívida acumuladas de 2 bilhões (R$ 6 bi). No Reino Unido, o buraco chega a 4 bilhões (R$ 11 bi). O que surpreende é que os lucros da final de 2009 serão maiores que os de 2008, mesmo com a crise. "O que é um épico entre duas equipes também se tornou um impulso à economia", afirmou Chadwick. "A Copa dos Campeões prova que mega eventos esportivos podem ajudar a superar recessões, em parte graças ao apelo emocional."Para especialistas, torcedores ingleses, espanhóis e italianos - que até agora têm sofrido com a crise - vão se dar o luxo de um gasto extra para se reunir com amigos em bares e restaurantes para celebrar. "Podemos esperar um modesto aumento na renda gerada pela final neste ano", disse Chadwick. Para ele, pessoas que não acompanham o futebol com regularidade aproveitariam a partida de ontem para abandonar o sentimento de recessão que paira sobre a Europa para consumir, nem que sejam bebidas.Uma das maiores ganhadoras seria a própria cidade de Roma, para onde foram cerca de 50 mil torcedores ingleses e catalães. A capital italiana teria lucrado algo em torno de 45 milhões (R$ 127mi) com o jogo em restaurantes, hotéis, transporte e outros aspectos turísticos. Tanto a economia inglesa como a espanhola também ganhariam, já que nem todos os torcedores tiveram condição de se deslocar até Roma.

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