Laurent Gillieron/AP
Laurent Gillieron/AP

Decisão sobre apelo de Semenya contra regra de testosterona da IAAF sai na quarta

Sul-africana bicampeã olímpica luta contra a redução dos limites do hormônio nas atletas

Redação, Estadão Conteúdo

29 de abril de 2019 | 13h14

A Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) anunciou que será conhecido nesta quarta-feira o resultado da apelação da atleta sul-africana Caster Semenya em um polêmico caso no esporte. A corredora se posicionou contra regras que a entidade máxima do atletismo quer impor para reduzir os altos níveis de testosterona natural em algumas competidoras através de medicação ou cirurgia antes que possam competir em provas de alto nível, a partir dos 400 metros e até uma milha.

Atual campeã mundial dos 800 metros e bicampeã olímpica da mesma prova ao faturar o ouro em Londres-2012 e no Rio-2016, a atleta da África do Sul acionou o máximo tribunal esportivo contra o novo regulamento da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês), que atinge as mulheres consideradas hiperandrógenas.

O hiperandrogenismo é um distúrbio endócrino comum das mulheres em idade reprodutiva caracterizada pelo excesso de andrógenos como testosterona e afeta entre 5% e 10% das pessoas do sexo feminino. E a polêmica em torno de Semenya já dura uma década, pois no Mundial de 2009, com apenas 18 anos, ela ganhou a prova dos 800m da competição um dia depois da revelação de que teve de fazer testes de gênero ordenados pela IAAF, em parte por causa de sua musculatura.

Na época, alguns meios de comunicação australianos foram criticados por publicarem matérias em que especulavam sobre a anatomia da então adolescente e a sul-africana precisou ser submetida a novos exames médicos depois daquele Mundial. E depois de ficar quase um ano fora das pistas de atletismo, ela foi liberada pela IAAF para participar de competições femininas.

Em fevereiro passado, após o final de uma semana de audiência, a CAS inicialmente anunciou que tornaria pública a sua decisão sobre a apelação da atleta "antes de 26 de março". Porém, o tribunal com sede em Lausanne, na Suíça, depois revelou que precisou adiar o veredicto sobre o caso "até o final de abril", ao receber novos documentos anexados ao processo, mas então não fixou nenhuma data para que isso ocorresse. O que só aconteceu nesta segunda-feira.

A decisão desta quarta será tomada por um painel de três juízes e ocorrerá também pouco mais de um mês após Semenya acusar o presidente da IAAF, Sebastian Coe, de abrir "velhas feridas" em entrevista a um jornal australiano, na qual o dirigente britânico apontou que ela e outras atletas com alta produção de testosterona endógena representem uma ameaça à "santidade da competição justa".

Em um comunicado divulgado no dia 27 de março, os advogados de Semenya disseram que os comentários de Coe e a nota "distorcida" do jornal Daily Telegraph referiu-se à meio-fundista sul-africana como "cheia de músculos" e "invencível" levaram a sua cliente a lembrar o quanto foi analisada e julgada durante o seu primeiro Mundial, em 2009.

Para a IAAF, as atletas com altos níveis de testosterona têm uma vantagem injusta sobre as suas concorrentes em provas a partir dos 400 metros e até uma milha. E Semenya espera poder defender o seu título de campeã do mundo em Doha, no Catar, entre os dias 28 de setembro e 6 de outubro deste ano. Ela faturou o ouro nos 800m nas edições de Berlim-2009, Daegu-2011 e Londres-2017 do Mundial de Atletismo.

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