Decisivo em campo. Um menino fora

Astro do Santos e da seleção, Neymar mostra no dia a dia seu ''estilo garotão'', apaixonado por games, carros e sempre brincalhão. Próxima meta: um jet ski

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

A cada gol, a cada drible, Neymar instiga as pessoas a decifrá-lo. Seria a genialidade com a bola nos pés um fenômeno genético, um dom ou algo que com muito treino a maioria de nós conseguiria fazer? Quem ele lembra: Robinho, Pelé, Maradona ou Messi? Conseguiria brilhar também no futebol europeu? Enfim, todas as perguntas que os brasileiros já se fazem há pelo menos um ano o mundo do futebol começa a repetir. Mas parece que a resposta não é tão complexa quanto parece. Pelo menos não na teoria. Neymar é um indivíduo com responsabilidades e rendimentos de gente grande e hábitos de adolescente. Ele só tem 18 anos. Vai completar 19 no dia 5.

Os tais hábitos ficam claros no dia a dia. Como todo jovem que se aproxima da fase adulta, o atacante do Santos e da seleção brasileira se diverte ao conviver com os amigos - que, na maior parte do tempo, são seus companheiros de equipe - e ao ficar horas por dia em frente ao computador ou jogando videogame.

É assim na concentração da seleção sub-20 que está em Tacna, no Peru, para a disputa do Campeonato Sul-Americano, classificatório para os Jogos Olímpicos de 2012. Como os quartos, cada um deles com dois atletas, estão no mesmo andar, as portas ficam abertas e o trânsito é livre. É um vaivém intenso. De um lado há o pessoal do pagode, do outro o do funk, ali na frente estão vidrados no videogame e, em um pequeno lobby, onde o sinal de internet é mais forte, reúnem-se todos eles, cada um com seu computador portátil. Neymar transita com desenvoltura em todos esses ambientes.

E é no bate-papo com os amigos que a sensação do futebol brasileiro e artilheiro da competição sul-americana mostra do que gosta na vida, além, é claro, de estufar as redes e provocar pesadelos nos adversários. "Eu curto carros, gosto de roupas, de me vestir bem, e de alguns enfeites, como brincos e anéis", diz o craque. "Mas existe uma coisa de que gosto bastante e que ainda não comprei, mas espero comprar logo, que é um jet ski."

Craque que é craque, artilheiro que é artilheiro não fica longe da bola nem mesmo quando está de folga. Neymar segue à risca essa linha de raciocínio. A diferença é que ele costuma trocar a bola real pela virtual. Neymar é o que se chama de viciado em videogame. E o jogo de que ele mais gosta? "Futebol, é claro!"

Quem acha que é exagero deveria ter presenciado a cena que ocorreu ontem, na concentração brasileira em Tacna. O hotel escolhido para receber a delegação é "honesto", mas está longe de oferecer sofisticação. Ar-condicionado, por exemplo, nem pensar. Se sentir calor, basta ligar o ventilador que já está à disposição em cada um dos apartamentos. Mas o que mais incomodou Neymar não foi a impossibilidade de se refrescar durante as tardes áridas do sul peruano. "Essa tevê de tubo não dá. A imagem do videogame não fica legal", lamentou. O sorriso voltou rapidamente quando ele descobriu que um dos quartos tinha um aparelho de LCD. A estrela da competição foi até o hóspede, um jornalista brasileiro, e perguntou se poderia trocar com ele. Diante da resposta positiva, não teve dúvida: desceu o andar e providenciou a troca, para felicidade geral dele e dos companheiros, que não deixam de jogar futebol nem mesmo quando estão descansando.

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