Tiago Queiroz/AE - 20/4/2011
Tiago Queiroz/AE - 20/4/2011

Decisões de Juvenal têm fracassado no São Paulo

Último ato do presidente foi ter mantido Paulo César Carpegiani no time. Ambiente no clube é o pior possível

MARCIUS AZEVEDO, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2011 | 00h00

SÃO PAULO - A diretoria do São Paulo, na figura de seu presidente Juvenal Juvêncio, sempre se colocou como infalível, acima do bem e do mal. O episódio da permanência do técnico Paulo César Carpegiani, difícil de ser explicar, porém, expôs que não é de hoje que os cartolas são-paulinos estão cometendo erros que interferem no desempenho da equipe.

O time vive um de seus momentos mais conturbados nos últimos anos muito por culpa de decisões erradas tomadas pela alta cúpula do clube. Os dirigentes que comandam o futebol não se entendem. E, quando parece que vão se entender, Juvenal costuma decidir sozinho o rumo que vai seguir.

Prova disso é o que aconteceu nos últimos dias. Na sexta-feira, depois da vexatória eliminação para o Avaí na Copa do Brasil e da reclamação pública de Rivaldo com Carpegiani, Juvenal se reuniu com o vice-presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e o diretor de futebol João Paulo de Jesus Lopes. Os três decidiram pela demissão do técnico e abriram o processo para buscar um substituto.

Mas tudo mudou na segunda-feira. Juvenal recuou e forçou o entendimento entre Carpegiani e Rivaldo. O ambiente dentro do clube é de guerra. Os jogadores não querem mais o comandante, enquanto ele finge que nada está acontecendo. A diretoria se omitiu. Pelo menos é o que revelou Alex Silva.

"A gente sabe que antes do resultado negativo tinha diretor aqui no gramado. De repente, eles sumiram", disparou o zagueiro, que há algum tempo está insatisfeito com os dirigentes.

A versão da diretoria é diferente. Juvenal, Leco e João Paulo estiveram no CT na segunda-feira e só não compareceram ao local de treinamentos nesta terça. A presença do trio, porém, não mudam os erros que foram cometidos nos últimos dois anos. E não são poucos.

A diretoria bateu cabeça em diversos momentos. Ricardo Gomes, por exemplo, ficou no fio da navalha muitas vezes, até cair. Em seguida, o presidente decidiu apostar no eterno interino Sérgio Baresi, que já nos primeiros jogos mostrou que não tinha experiência para dirigir o profissional. A lista de equívocos de Juvenal tem ainda a contratação de reforços que se tornaram fiascos, como Cicinho, a demissão de profissionais capacitados da comissão técnica, entre eles o preparador físico Carlinhos Neves, e a briga (sem sucesso) para colocar o Morumbi na Copa do Mundo de 2014.

OS ERROS DO PRESIDENTE

1. O cai não cai de Ricardo

Apesar da pressão, segurou técnico até o fiasco na Libertadores

2. Fabuloso não reestreia

Após volta acelerada, Luis Fabiano sofre nova lesão

3. A aposta em Baresi

Jovem técnico não deu certo. Só saiu em outubro

4. Reforços que não renderam

Cicinho, Fernandão, Cleber Santana e Léo Lima não vingaram

5. A briga pela Copa

Brigou para colocar o Morumbi no Mundial de 2014 e esqueceu do time

6. Marcelinho/Lucas

Atacante pediu para ser chamado pelo nome verdadeiro. Diretoria o apresentou como reforço e ato virou alvo de gozações

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