Dedé, uma referência do MMA brasileiro

Lutador quando o esporte não tinha pompa, o hoje treinador é respeitado por preparar campeões e por formar um time vencedor

BRUNA TONI, ENVIADA ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h04

Dedé Pederneiras entra discretamente na sala montada pelo UFC em um hotel em Wembley para receber os jornalistas que estão na capital inglesa para a cobertura do evento. Com passos mansos e mãos escondidas dentro do casaco que cobre seu corpo pequeno, o treinador de grandes nomes como José Aldo, Renan Barão e Ronny Marques não faz questão de chamar a atenção.

Aos 46 anos, o ex-lutador de MMA é um dos pioneiros do esporte no Brasil. Faixa preta em jiu-jítsu, Pederneiras teve como mestre Carlson Gracie, filho mais velho de Carlos Gracie, um dos criadores da modalidade.

Apesar de ter parado de lutar quando o MMA ainda estava buscando seu espaço no mundo das lutas, Pederneiras acabou se tornando referência no meio não só pela qualidade dos lutadores que ajuda a preparar, como também pela iniciativa de formar no Rio de Janeiro uma grande equipe, a Nova União.

"Quando eu parei de lutar, não havia tantos eventos como hoje, era difícil viver disso. Como eu já tinha minha academia, resolvi me dedicar totalmente a ela. As conquistas vieram com o tempo", explica.

Tempo que fez Pederneiras ganhar maturidade e se consolidar como um dos mais respeitados profissionais do esporte - em 2010, foi eleito o melhor técnico de MMA do mundo. "Acho que o Brasil tem bons lutadores e bons treinadores. Não me vejo como o único", diz.

Assim como o presidente do UFC, Dana White, Pederneiras considera a entrada das artes marciais mistas nos Jogos Olímpicos algo bastante provável de ocorrer. "É o caminho natural das coisas, cada vez mais quem gosta de luta vai se aproximar do MMA e há espaço para isso na Olimpíada", analisa o treinador, que também rebate as frequentes críticas feitas ao esporte, considerado violento, inclusive por fãs de outros tipos de lutas. "O preconceito é bobagem. Muito mais lutadores morreram, ou ficaram gravemente feridos, no boxe do que no MMA."

Calmo e seguro, Pederneiras sabe que seu trabalho é preparar o maior número possível de campeões. Tanto é que ele afasta qualquer possibilidade de ver Renan Barão (peso galo) e José Aldo (peso pena) se enfrentarem.

"O Renan pode subir de categoria se o José Aldo também subir. Caso contrário, não é interessante para nós. Por isso, não temos planos para agora. É algo a se pensar lá na frente", diz.

Sempre de olho no futuro, ele aposta todas as suas fichas na expansão do esporte no País. "O fato de o UFC marcar tantos eventos no Brasil neste ano só prova que o esporte está crescendo. Depois do futebol, o MMA será o esporte mais popular", projeta.

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