Defesa alega que Pistorius atirou em Reeva por instinto

Paratleta ainda tenta provar a sua inocência em julgamento sobre a morte de sua namorada, em fevereiro de 2013

Estadão Conteúdo

08 de agosto de 2014 | 11h13

O advogado de Oscar Pistorius bateu a mão em uma mesa em um tribunal em Pretória, na África do Sul, nesta sexta-feira, para imitar o som que ele diz ter assustado o atleta paralímpico e o levado a disparar através da porta do banheiro da sua residência, matando Reeva Steenkamp, a sua namorada.

O chefe da equipe de advogados de defesa de Pistorius, Barry Roux, apresentou nesta sexta-feira suas alegações finais no julgamento do atleta paralímpico, acusado de premeditar o assassinato da sua namorada.

"Você está ansioso. Você está treinado como um atleta. Ele está agora com o dedo no gatilho pronto para disparar", disse Roux, descrevendo a mentalidade de Pistorius no momento em que ele matou Reeva, no ano passado, supostamente por engano, ao confundi-la com um intruso. "Ele está la e...", continuou Roux, antes de bater na mesa, criando um som, para argumentar que Pistorius atirou em "reflexo".

O promotor-chefe rejeitou na quinta-feira a versão de Pistorius a classificando como "uma mentira elaborada" e pediu para a juíza Thokozile Masipa condená-lo por assassinato premeditado.

Pistorius se declarou inocente da acusação de homicídio e de outras três por uso de arma de fogo. Seu advogado, no entanto, admitiu que ele era culpado em uma dessas acusações, por ter de forma negligente disparado uma arma em um local público em um incidente em um restaurante semanas antes do assassinato. A promotoria tem usado essas acusações para definir Pistorius como alguém obcecado por armas, não a figura vulnerável que a sua defesa invoca.

Nesta sexta-feira, Roux também disse que a deficiência de Pistorius, que teve as duas pernas amputadas quando era um bebê, o torna particularmente vulnerável em relação aos crimes, o comparando com uma vítima de abuso que mata um abusador após um longo período de sofrimento.

"Eu não tenho pernas, eu não posso fugir", disse Roux para tentar explicar a decisão de Pistorius de ir ao banheiro e confrontar o suposto intruso em vez de fugir, uma decisão que a acusação diz mostrar que o atleta queria matar alguém e assim é culpado de assassinato.

Referindo-se a alguns dos argumentos da defesa, Roux disse que há contradições no depoimento de alguns vizinhos, que disseram ter ouvido uma mulher gritando na noite em que Pistorius atirou em Reeva, sugerindo uma briga. O advogado afirmou que os gritos agudos vieram de Pistorius pedindo ajuda após os disparos.

Roux também alegou que itens no quarto de Pistorius, perto do banheiro onde ele matou Reeva, podem ter sido movidos, adulterando provas. "Não houve respeito pela cena", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
atletismoOscar Pistorius

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.