Del Potro surpreende e desbanca Federer

O número 6 do ranking conquista 1.º título de Grand Slam, em 4h06

NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

15 de setembro de 2009 | 00h00

Juan Martín del Potro manteve a tradição argentina de não desistir jamais de uma partida, mesmo tendo como adversário ninguém menos do que Roger Federer em uma final do US Open. Com isso, os dois protagonizaram uma das partidas mais longas da história do evento, 4h06 (desde 1989, um jogo não demorava tanto) e o argentino ganhou o primeiro Grand Slam da carreira, de virada, por 3 a 2, parciais de 3/6, 7/6 (7/5), 4/6, 7/6 (6/4) e 6/2.

Del Potro tornou-se o segundo argentino a vencer nas quadras de Flushing Meadows. O outro Guillermo Vilas, em 1977, que acompanhou a conquista das arquibancadas do Estádio Arthur Ashe. "Esse momento vai ficar na minha mente para sempre. Nem sei explicá-lo", disse o campeão sobre o título no US Open. Disse estar ciente de que, apesar da vitória, ainda tem muito a melhorar. Progresso mesmo o tenista terá na conta bancária e no ranking da ATP. A vitória lhe rendeu um prêmio de US$ 1,85 milhão, um carro conversível e 2 mil pontos.

O momento de emoção foi garantido quando o tenista falou na língua materna. "Quero agradecer a toda a equipe. Foi muito difícil essa conquista. Também quero agradecer a todos os argentinos que estão aqui. Quero agradecer ainda minha mãe, meu pai, meus avós, meus amigos e toda a gente que me apoiou. Isso é para vocês", disse, chorando. A vitória foi um presente antecipado de aniversário: o argentino completa 21 anos no dia 23.

Depois da premiação, falou sobre as alegrias e as dificuldades nos bastidores. "Realizei o sonho da minha vida, que era ganhar esse torneio, e nada menos sobre Roger (Federer)." O argentino conta que passou a noite em claro. "Pedi aos meus amigos que me distraíssem porque não conseguia dormir. Não sabia se pensava na partida contra Rafa (a vitória sobre o espanhol Rafael Nadal) ou na final."

O começo da partida foi complicado. "Estava nervoso. Era difícil entrar com tranquilidade no meu torneio favorito contra o maior jogador da história. Mas logo consegui me concentrar e jogar como queria."

Federer, número 1 do mundo, entrou em quadra favoritíssimo ao título, afinal havia vencido as últimas cinco edições do US Open, fora as outras 10 conquistas de Grand Slam da carreira. Do outro lado, o argentino, número 6 do ranking, buscava a primeira vitória em um torneio de elite. Não se intimidou com o currículo do adversário.

Tal determinação foi fundamental para o resultado do confronto. Federer, como era esperado, abriu vantagem e ganhou o primeiro set por 6/3. Mas o que parecia se encaminhar para uma vitória fácil por 3 sets a 0 passou a se tornar um pesadelo para o suíço. Federer não conseguiu mostrar a precisão da semifinal contra o sérvio Novak Djokovic e Del Potro não titubeou em aproveitar para pressionar com a força de seus golpes. Com isso, levou o segundo set ao tie-break e empatou o jogo 7/6 (7/5).

Federer, no entanto, não ganhou 40 partidas seguidas em Nova York à toa. Mesmo sem mostrar seu melhor tênis, ganhou o terceiro set por 6/4. Del Potro suportou a pressão no quarto set e levou a partida para o tie-break, empatando mais uma vez o jogo: 7/6 (7/4). No set decisivo, o argentino foi mais forte física e emocionalmente, enquanto o suíço cometia erros incomuns, os quais lhe custaram a invencibilidade de cinco anos no aberto americano.

Federer reconheceu a superioridade do rival. "Quero parabenizar Martín. Foi um torneio incrível", disse. "A gente quer ganhar sempre, mas, desta vez, ele (Del Potro) foi melhor."

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