Delegada boliviana quer manter os corintianos presos

Abigail Saba diz que não tem de levar em contas 'provas produzidas em outro lugar'

O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2013 | 02h06

ORURO - A confissão do menor que assumiu a autoria do disparo que matou o jovem Kevin Douglas Beltrán na semana passada, não significa que os 12 corintianos presos na Bolívia vão responder ao processo em liberdade ou retornar ao Brasil. Essa é avaliação da delegada Abigail Saba, que cuida da investigação pelo Ministério Público em Oruro. Abigail pretende usar o depoimento do jovem no processo, reformar o inquérito e colocar um 13º indiciado no documento.

"Todos são cúmplices, porque trouxeram o menino e o deixaram sair de Oruro. Por que fizeram isso? Esperamos que o tragam para responder às acusações na Bolívia, de acordo com as leis bolivianas, e assim será indiciado como todos os outros", afirmou. Pelas leis bolivianas, a maioridade começa as 16 anos.

Abigail espera a confirmação da confissão e documentos enviados do Brasil para definir o rumo das investigações, mas reafirma que quer manter os detidos ao menos como cúmplices caso essa versão seja confirmada.

"Como o jovem saiu da Bolívia? Há várias interrogações que têm de ser esclarecidas em Oruro. As autoridades não têm de levar em conta provas produzidas em outro lugar. Quem garante que esse garoto não foi pressionado?", questionou a delegada.

Recurso. Ontem o advogado Miguel Blancourt, contratado pela embaixada brasileira na Bolívia, apresentou apelação contra a prisão preventiva dos torcedores indiciados pela morte de Kevin Douglas Beltrán.

Um dos principais argumentos da defesa é o fato de 12 pessoas serem consideradas responsáveis pelo disparo do sinalizador naval que matou o torcedor do San Jose. Na visão da defesa, é impossível que o grupo todo lance apenas um artefato. Também está na apelação o fato de os brasileiros terem sido presos pouco mais uma hora após a morte de Kevin, o que não caracterizaria flagrante e, por consequência, a prisão. O julgamento do recurso deve ocorrer em no máximo uma semana.

Pelo inquérito boliviano, dois torcedores (Cleuter Barreto Barros e Leandro Silva de Oliveira) são considerados autores porque foram encontrados traços de pólvora em suas mãos e também sinalizadores com o mesmo número de série do que matou Kevin e os outros dez, cúmplices. Todos estão presos na penitenciária de Oruro.

A embaixada está providenciando o aluguel de um imóvel em La Paz para que os brasileiros tenham residência fixa configurada e possam responder ao processo de homicídio em liberdade caso a apelação seja aceita.

Mesmo com todos esses trâmites, representantes da Embaixada veem dificuldades por causa da lentidão da justiça boliviana. Hoje existem entre 100 e 120 brasileiros presos no país, muitos deles em caráter preventivo e sem data para julgamento.

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