Wander Roberto/Divulgação
Wander Roberto/Divulgação

Demian acredita em disputa de cinturão caso vença Shields no UFC Barueri

Ele fará o combate principal do UFC Fight Night 29, marcado para 9 de outubro, em Barueri

FERNANDO ARBEX, Especial para O Estado

24 de setembro de 2013 | 06h04

SÃO PAULO - Com três vitórias nas três lutas que realizou entre os meio-médios do UFC, Demian Maia se prepara para enfrentar o norte-americano Jake Shields naquela que pode ser sua luta decisiva de MMA para se credenciar para a disputa do cinturão. Ele é atualmente o 4° colocado no ranking oficial da organização em sua categoria (até 77 kg) e fará o combate principal do UFC Fight Night 29, marcado para o dia 9 de outubro, na cidade de Barueri (SP).

Focado no tão importante confronto, o paulistano Demian disse ao portal Estadão que acha que um triunfo o coloca como próximo desafiante ao título. Ele também falou da preparação para o combate, dos motivos para a melhora de desempenho desde que deixou a divisão dos médios (até 84 Kg) e de uma possível luta com o canadense Georges Saint-Pierre, o campeão dos meio-médios.

Você pensa em pedir para disputar o cinturão caso derrote o Jake Shields?

É o que quero. Eu nem pensei em pedir, mas acho que tem chances grandes. Olhando para os rankings, dá para ver que tenho boas possibilidades. A recente derrota do Jake Ellenberger (para Rory MacDonald, no dia 27 de julho), por exemplo, com certeza contribuiu para isso.

Que estratégia você acha que o Shields vai adotar?

Acho que ele vai seguir o padrão de sempre. Toda luta, ele troca golpes em pé, mesmo contra adversários bons na área, mas vejo que ele faz a diferença quando ele leva para o chão. Acredito que ele vai fazer isso, vai usar bastante a trocação, mas não vai se intimidar de tentar me derrubar.

Considerando que você é um lutador muito bom no solo, você acha que ele, caso fique por cima, vai arriscar alguma coisa ou vai tentar fazer uma luta mais amarrada, pensando só nos pontos?

Isso eu não sei, vai depender da confiança que ele tiver na hora.

Já tem uma estratégia pronta para o Shields?

Essa eu não posso falar (risos).

Com quem está sendo a sua preparação para essa luta?

Eu trouxe algumas pessoas e tem outras chegando. O treino está agora em um nível de intensidade muito forte. Quem estava aí comigo era o Victor Silvério, faixa marrom de jiu-jitsu e campeão mundial sem quimono, meus próprios alunos, o Luiz Banha, o Shogun até antes da última luta dele, o Daniel Sarafian e o Fábio Maldonado.

Considerando que o Georges Saint-Pierre domina a divisão dos meio-médios há tanto tempo, você já pensou como seria uma luta com ele?

Não, na verdade. Às vezes eu penso nele depois de uma luta, mas não adianta nada ficar pensando em estratégia se eu não chegar lá. Realmente é muito difícil, pois é um cara que consegue impor sua estratégia. Por exemplo, contra o Shields ele tentou impor a estratégia de não ir para o chão e conseguiu. Contra um bom boxeador ou um nocauteador, ele impõe o jogo dele e leva para baixo. E é por isso que ele ganha.

O GSP é um dos lutadores que mais estuda o jogo do adversário, a última luta dele com o Nick Diaz foi mais uma prova disso. Você pensa em preparar algo especial para o caso de vocês se enfrentarem?

Toda luta eu faço isso. Eu preparo algo diferente porque eu sei que os atletas estudam muito uns aos outros, então a gente sempre tem alguma coisa nova ou um pouco diferente do que eu já fiz.

Quanto ao combate entre Georges Saint-Pierre e Johny Hendricks, marcado para o UFC 167, no dia 16 de novembro, você tem palpite?

Meu palpite é que o GSP ganha. Eu acho que ele tem mais ferramentas. Apesar de o Hendricks ter uma boa chance de ganhar, não é o caso de ele não ter chance. Até que é boa a possibilidade dele, mas eu acho que o GSP vai ganhar.

Se você disputar o título com qualquer um deles, terá pela frente um oponente especialista no wrestling. Você pensaria em entrar para derrubá-los ou puxaria para sua guarda?

Eu acredito muito hoje em dia nas minhas quedas, eu melhorei muito no wrestling. Não é fácil porque com os dois seria muito difícil, mas acho que tenho condição de derrubar qualquer um.

Muitos lutadores escolhem mudar de estado ou até do Brasil para fazerem a preparação para um combate. Você pensa em um dia deixar São Paulo?

Ir para outros estados não tem sentido nenhum para mim, porque São Paulo é a capital econômica do País. No meu caso, sobre o jiu-jítsu, os melhores treinadores do mundo estão aqui. A maioria dos meus patrocinadores é daqui. Antigamente, muita gente ia para fora por questão de seminário e patrocínio, mas hoje você consegue tudo no Brasil. Se você não morar no Rio de Janeiro ou em São Paulo, é mais difícil. Em Salvador também tem um treino forte lá na Champion, com o Luiz Dórea, onde já treinei bastante. Eu acho que pelo menos nas nove ou dez semanas antes da luta, se você estiver num evento grande, tem de se mudar para um grande centro.

Fora desse período de preparação mais perto de uma luta, você planeja buscar um treino específico em algum outro lugar?

Eu já treinei bastante fora. Treinei com o Wanderlei Silva várias vezes, em Las Vegas (EUA). Fui muito para a Bahia treinar com o Dórea. Fui três vezes para Chicago (EUA) treinar wrestling com o pessoal da academia Overtime, que tem norte-americanos campeões universitários, vice-campeões mundiais, atletas olímpicos do Canadá e dos EUA. Já fui para a Holanda treinar kickboxing e para Nova Iorque (EUA) treinar jiu-jítsu com o Marcelinho Garcia, que é meu amigo. Eu tenho vontade de fazer outros períodos de treino de wrestling fora do Brasil. Mas, quando chega perto de um combate, eu tento me focar aqui porque toda a minha estrutura está em São Paulo.

Você pensa em voltar para a categoria dos médios ou fazer uma revanche contra alguém que já te derrotou?

No momento, não, o meu foco está no cinturão dos meio-médios.

Qual foi o principal fator para a sua melhora de rendimento depois que você mudou dos médios para os meio-médios?

Acho que se deveu à reformulação do meu treinamento. Depois da luta com o Chris Weidman (em janeiro de 2012), pela primeira vez pensei se deveria continuar lutando. O Eduardo Alonso veio até mim e se propôs a organizar a minha logística de treinos, porque antes eu centralizava tudo e isso me desconcentrava. Eu me senti mais forte como meio-médio, mas esse não é o principal fator, é um dos componentes. Muita gente acha que o meu desempenho melhorou só porque eu desci de peso. Claro que isso é mais uma pecinha para compor, mas o principal foi a mudança na minha preparação.

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