Dengue pode tirar Troféu Maria Lenk do Rio

Última seletiva para os Jogos de Pequim, competição é a mais importante da natação brasileira

Heleni Felippe, O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2008 | 19h37

A epidemia de dengue que atinge o Rio de Janeiro já ameaça tirar da cidade algumas competições de elite do esporte, como o Troféu Maria Lenk de Natação, a última seletiva olímpica para os Jogos de Pequim, marcado para acontecer entre os dias 6 e 11 de maio. Por enquanto, a competição foi mantida no Rio pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), mas o assunto será reavaliado em 14 de abril, numa reunião entre a entidade e as autoridades sanitárias da cidade e do Estado. O Troféu Maria Lenk é o mais importante campeonato de natação entre clubes do Brasil e, dessa vez, valerá como seletiva para Pequim. Por isso mesmo, irá reunir os principais nadadores brasileiros da atualidade. Portanto, seria um escândalo se algum atleta olímpico tivesse problema com sua preparação ou até mesmo ficasse fora da Olimpíada por causa de uma dengue adquirida no Rio. Em contato com a Secretaria de Saúde do Governo do Rio, a CBDA foi informada que "o surto epidêmico de dengue atingiu o seu ápice, devendo retroceder até o mês de maio". A entidade também ouviu do Superintendente de Vigilância em Saúde, Vitor Berbara, que o Parque Aquático Maria Lenk, onde foram realizadas as provas de natação e saltos ornamentais dos Jogos Pan-Americanos do Rio, em julho passado, localizado na Barra da Tijuca, será "submetido a uma varredura diária contra o mosquito transmissor da dengue duas semanas antes e durante a competição. Procedimento semelhante foi feito durante o Pan". Mesmo antes do Pan, no ano passado, já havia uma grande apreensão dos nadadores por causa da dengue. Flávia Delaroli, especialista nos 50 metros livre, que está disputando o Grand Prix de Palo Alto, na Califórnia (EUA), como parte de sua preparação olímpica, foi uma das atletas que preparou uma bolsa recheada de repelentes para o corpo e o ambiente antes da viagem ao Rio, precaução que deve repetir agora. "Sou mesmo bem precavida. Imagine comprometer a temporada por uma doença que pode ser evitada", explicou. A piscina do Parque Aquático Maria Lenk - batizado assim em homenagem à primeira nadadora olímpica do Brasil, que morreu no ano passado - é aberta, sem cobertura, o que aumenta a exposição dos nadadores e a preocupação com a presença do mosquito da dengue na área.

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