Denoni e Wellington correm atrás do futuro no Palestra

Volante e zagueiro da base do Palmeiras lutam para conquistar espaço com Felipão; hoje eles devem pegar o Coritiba

O Estado de S.Paulo

19 Julho 2012 | 03h05

Com 12 desfalques, não resta outra alternativa para Felipão do que apostar na garotada. É a chance do zagueiro Wellington e do volante João Denoni, que podem ser as novidades no jogo de hoje diante do Coritiba. Chegar ao time principal do Palmeiras não foi nada fácil para os dois.

Embora tenha apenas 20 anos, Wellington já é um exemplo de dedicação. Nascido em Bauru, precisou superar muitas dificuldades para chegar ao Palmeiras. "Morei em uma comunidade que tem um povo meio desandado, mas minha família me ensinou o caminho certo. Tenho um amigo que tinha tudo para ser craque, mas resolveu seguir o lado errado. Sempre falo que ele deveria ter virado jogador e não eu", disse Wellington, descoberto em uma escolinha de futebol.

Ele passou pelo Batatais e Noroeste. No Batatais, o zelador do prédio onde ele ficava concentrado castigava os meninos. "Nos dias de frio, ele desligava a luz e tínhamos que tomar banho com a água gelada só porque gostávamos de brincar", conta. No Noroeste, o problema era a falta de alimentação. "Tinha dia que a refeição era arroz, feijão e água."

Em maio de 2009, chegou ao Palmeiras. Mas os problemas não acabaram. Quando subiu, em 2010, cansou de chegar em casa ensopado. "Eu tinha vergonha de pedir carona. Então, ia embora a pé e, nos dias de chuva, os carros passavam pelas poças e várias vezes eu me molhava inteiro."

Em nome do pai. Uma das maiores apostas da base é João Denoni, de 18 anos. O garoto, que começou no Mirassol, chegou ano passado ao Palmeiras. Ele começou como meia, mas se "achou" como segundo volante.

Ele nasceu em Taquaritinga e sua família vive em Jaboticabal. Se hoje está no Palmeiras, muito se deve ao esforço de seu pai, que também chama João Denoni. Desde criança, o volante queria ser jogador e o pai resolveu apostar nele. "Meu pai era da roça e não teve estudo, mas com muito esforço tentou sempre me dar o que eu precisava para ser jogador. Devo tudo a ele", disse o volante que, com os olhos cheios de lágrimas, emendou.

"Fico feliz em saber o quanto lutou por mim. É o meu orgulho e tenho que vencer na carreira por ele. Quero mostrar para ele que todo o sofrimento valeu a pena", disse Denoni, caçula de uma família de mais três irmãs. "Quero fazer história no Palmeiras." /D.B.

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