Denúncia de farsa, a vingança dos Piquet

Publicações europeias trazem os bastidores do escândalo na Renault

Livio Oricchio, MONZA, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

O GP da Itália será quente, dentro e fora da pista. Nos velozes 5.793 metros de Monza, Jenson Button e Rubens Barrichello, da Brawn GP, junto de Sebastian Vettel e Mark Webber, da Red Bull, vão continuar lutando pelo título. Mas na área do paddock, atrás dos boxes, a temperatura já esquentou desde ontem: as duas mais importantes revistas de automobilismo, Autosport, inglesa, e Autosprint, italiana, publicaram na edição desta semana detalhes do que teria sido a farsa de Flavio Briatore, diretor da Renault, no GP de Cingapura do ano passado.

A Autosport conseguiu informações importantes, já disponíveis para os comissários da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) que investigam o caso e segunda-feira irão julgá-lo, em Paris. Diz, por exemplo, que foi Nelson Piquet, pai, quem procurou Max Mosley, presidente da FIA, para denunciar a farsa, logo depois de Briatore ter dispensado o filho, assim que foi disputado o GP da Hungria, em 26 de julho.

A reportagem explica que no domingo, antes da largada em Cingapura, Briatore e seu diretor de engenharia e estrategista, Pat Symonds, se reuniram com Nelsinho. Solicitaram ao piloto que batesse, deliberadamente, entre as voltas 13 e 14, na curva 17, por não haver ali guindaste, o que provocaria, necessariamente, a entrada do safety car na pista. Seu companheiro Fernando Alonso faria pit stop pouco antes e seria beneficiado com a manobra. Tudo funcionou à perfeição e o espanhol venceu.

A Autosprint alega ter obtido dados da telemetria do carro de Nelsinho. O piloto ao iniciar a curva 17 compreende que as rodas começam a girar em falso e, ao contrário do que faz nas voltas anteriores, acelera ainda mais para provocar a perda de controle. Foram esses dados, combinados, que levaram Mosley a convocar reunião extraordinária do Conselho Mundial, para a segunda-feira. É a oportunidade para o dirigente, também, atingir um velho desafeto, Briatore, um dos líderes da Fota que exigiram de Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, a saída de Mosley da FIA se desejasse continuar conduzindo a Fórmula 1.

A pergunta que está no ar é: por que Nelsinho teria concordado em atender a Briatore e Symonds? Simples: o diretor da Renault lhe garantiria a renovação do contrato para este ano. Como aconteceu. Mas ele nem terminou a temporada. O italiano o substituiu pelo francês Romain Grosjean a partir da etapa de Valência, dia 23. Daí a iniciativa da família Piquet.

A exemplo de Alonso em 2007, quando denunciou sua própria equipe, a McLaren, no escândalo de espionagem contra a Ferrari, é provável que Nelsinho não seja punido pela FIA. Piloto e entidade fizeram um acordo: eu conto tudo e você não me pune. Mas, se tudo for comprovado, como os indícios sugerem, Briatore, Symonds e até a equipe francesa sofrerão sanções pesadas.

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