Denúncias abalam o remo

Confederação nacional herdou 47 ações trabalhistas ao explorar jogo de bingo em Taubaté

Sílvio Barsetti e Bruno Lousada, RIO, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

A crise que atinge a Confederação Brasileira de Remo (CBR), sob intervenção judicial desde o início do mês, é maior do que se imagina. A diretoria afastada da entidade é acusada na Justiça de gastar recursos públicos de forma irregular e de não prestar contas satisfatoriamente. A situação se agrava por causa de uma parceria que a confederação firmou em 1998 com a Brascoop Cooperativa de Trabalho do Brasil para explorar o jogo de bingo em Taubaté, interior de São Paulo.Esse contrato foi desfeito em 2001 e hoje, em razão do negócio, a CBR responde por 47 ações trabalhistas. A soma dessas indenizações pode ser superior a R$ 1 milhão.Para se beneficiar dos bingos, a Confederação Brasileira de Remo montou três subsedes, já fechadas: em Taubaté, Macéío (AL) e no bairro de Bangu, zona oeste do Rio. Há suspeitas de que outras ações na Justiça do Trabalho relacionadas à exploração do bingo estejam em curso contra a entidade.Dois processos tramitam em primeira e segunda instâncias contra os dirigentes da CBR. Em ambos, a Justiça investiga como a confederação poderia ter repassado dinheiro público nos últimos anos para federações estaduais que supostamente funcionam irregularmente. Além disso, apura a informação de que três membros da comissão técnica da seleção brasileira de remo "recebem salário sem que seus nomes constem da folha" da entidade.A eleição realizada para presidente da CBR, realizada em Manaus, em 21 de março, foi anulada e um novo pleito será marcado pela Justiça. Na decisão favorável a interrupção do processo, o juiz Egas Moniz Dáquer, da 26ª Vara Cível do Rio, fez uma leitura severa da administração nacional do remo."O comportamento da CBR, ao que tudo indica, não tem sido dos melhores, e não somente se fala em relação ao esporte sob seu comando. Recentemente sua atual administração teve de ser compelida judicialmente para apresentar a seus associados a documentação relativa à prestação de contas que seria feita em assembleia. Incabível comportamento", relata o magistrado, em seu despacho.O remo brasileiro não consegue resultados de ponta faz tempo. No Pan-Americano de 2007, no Rio, ganhou apenas duas medalhas de bronze - uma delas com Allan Bitencourt e Anderson Nocetti na categoria dois sem timoneiro - e uma de prata, no oito com timoneiro, conquista que também contou com a dupla Bitencourt e Nocetti. REPRIMENDAEgas Moniz Dáquerjuiz da 26.ª Vara Cível"O comportamento da CBR não tem sido dos melhores, e não somente se fala em relação ao esporte sob seu comando. Recentemente sua atual administração teve de ser compelida judicialmente para apresentar a seus associados a documentação relativa à prestação de contas"

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