Depoimento complica a situação de técnico

Lucimara Silvestre diz que Jayme Netto sabia da substância proibida no material injetado nos atletas. Treinadores vão falar hoje em São Paulo

Valéria Zukeran e Sandro Villar, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

Os envolvidos no escândalo de doping antes do Mundial de Atletismo de Berlim foram ouvidos ontem pelo Comitê da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), em São Paulo, e não só complicaram a situação do técnico Jayme Netto Júnior - embora manifestem apoio - como levantaram a hipótese de que outros no caso tenham saído impunes. Jorge Célio, Bruno Lins, Lucimara Silvestre, Josiane Tito e Luciana França, que deram positivo para a substância Recombinant-EPO Isoforms, deram suas versões.

Lucimara afirmou que não sabia estar injetando substâncias proibidas em seu corpo. Depois do positivo confirmado, falou com Netto, que teria conhecimento do fato, embora não considerasse que seus atletas corressem perigo. "Disseram a ele (Netto) - no caso o Pedro (Balikian) - que havia mil por cento de chance de não sermos pegos", conta a atleta.

Lucimara também revelou detalhes do anúncio de seu doping. "Falaram que eu e outros atletas tínhamos dado positivo e existiam ainda outros dois casos sob investigação. A Evelyn (dos Santos) admitiu que tomou as injeções, mas a outra atleta com resultado semelhante ao dela jurou de pés juntos que não usou nada."

Josiane Tito declarou que acreditava ser aminoácido a substância injetada pela primeira vez em seu corpo no dia do exame antidoping surpresa. "Tomei uma hora antes de o pessoal (do laboratório antidoping) chegar", lamentou. Para a atleta, a pessoa capaz de esclarecer o caso é o fisiologista Pedro Balikian. "Todos nós tentamos falar, mas ele sumiu. Acho que ele deveria se apresentar para assumir suas responsabilidades."

GRIPE SUÍNA

Protagonista do escândalo, Balikian não prestou depoimento ontem à tarde à Comissão de Sindicância da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Presidente Prudente. Ele apresentou atestado médico por meio de seu advogado informando estar com gripe suína. A comissão ouviu os técnicos Jayme Netto e Inaldo Sena.

O primeiro a depor foi Sena. Saiu sem dar declarações. "Olha, se você ficasse uma semana no meu lugar, ficaria igual a um avestruz (com a cabeça enfiada em um buraco)", limitou-se a dizer. Netto ficou quase duas horas reunido com a comissão. "Tenho co-responsabilidade ao permitir o uso da substância em três dos meus atletas. Acreditei que não tivesse problema e que não havia risco", disse.

O trio também foi convocado para depor diante do comitê da CBAt, hoje, em São Paulo. A comissão da Unesp deverá convidar Balikian para falar dentro de 15 dias.

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