Depois de Muricy, Ricardo, o pacificador

Ex-jogadores e dirigentes destacam a calma do novo técnico do São Paulo

Giuliander Carpes e Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2009 | 00h00

A contratação de Ricardo Gomes para o lugar de Muricy Ramalho pegou a torcida e até os jogadores são-paulinos de surpresa. Afinal, a diretoria do clube trocou um técnico que, apesar dos tropeços na Taça Libertadores, conquistou três vezes consecutivas o Campeonato Brasileiro por outro que não ganhou títulos de expressão no País e passou quatro anos na França, também sem um sucesso estrondoso.   Vote na enquete: Ricardo Gomes terá sucesso no São Paulo?Muricy é turrão, irritadiço, mau humorado. Fala muito palavrão e tem relacionamento tenso com a imprensa. Ricardo Gomes é conhecido por ser tranquilo, apaziguador e por dificilmente perder o controle. O novo técnico do São Paulo é quase a antítese de seu antecessor - não é daqueles que fica à beira do campo gritando para o atleta que faz alguma jogada errada. Exatamente o que a diretoria são-paulina precisa para pacificar os conturbados vestiários tricolores.Da África do Sul, o meia Kaká, que trabalhou com Ricardo Gomes na seleção pré-olímpica, fez elogios. "É um treinador que entende muito de futebol. Um profissional nota 10. Tem o perfil do São Paulo."Dirigentes que conheceram o treinador também o elogiam. "O que conta não é a atuação à beira do campo, mas o trabalho do dia a dia", afirma o vice de futebol do Juventude, Alex Iuri Rech, que trabalhou com Ricardo Gomes em 2002. "Ele chegou num momento conturbado, estávamos à beira do rebaixamento na Taça Sul-Minas. Aproveitou os atletas do grupo e os jovens da base, o que é uma característica muito boa dele."Caxias do Sul guarda com carinho até hoje o Campeonato Brasileiro daquele ano, quando o treinador levou o Juventude à sua melhor campanha da história na Série A - liderou de 21 de agosto a 29 de setembro, terminou a primeira fase em quarto lugar e foi eliminado pelo Grêmio nas quartas de final, em confronto mata-mata. O zagueiro Índio, hoje no Inter, fez parte daquela campanha. "Particularmente, ele (Ricardo Gomes) foi muito importante para mim, porque aprendi bastante sobre posicionamento." Os jogadores tendem a se identificar com o estilo de Muricy Ramalho. O treinador fala a língua dos atletas, cobra, incentiva de forma veemente. Ricardo Gomes tenta impor respeito pela postura altiva, característica muito enaltecida pelo presidente são-paulino, Juvenal Juvêncio. Evita o confronto.Esse pode ser o calcanhar de Aquiles do novo treinador são-paulino. Na seleção brasileira pré-olímpica de 2004, Ricardo Gomes fez vistas grossas no episódio em que Robinho baixou o calção de Diego durante uma entrevista para a televisão. Perdeu o controle do grupo e a vaga para os Jogos de Atenas.

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