Capítulo 01

Depois do Rio-2016, os investidores olímpicos se foram

Mesmo assim, Time Brasil mostra otimismo e se vê pronto para fazer bonito nos Jogos Pan-Americanos de Lima

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 11h30

Olá, amigos

Está é a primeira coluna que pretendemos levar até os Jogos Olímpicos de Tóquio, daqui a um ano. Nossa ideia é fazer uma ponte do que foi os esportes olímpicos do Brasil do Rio, em 2016, passando pelo Pan de Lima, pelos Mundiais, enfim, pelos quatro anos de preparação até chegar ao Japão. Vamos mostrar para vocês aspectos técnicos e financeiros das federações olímpicas, do COB, as aspirações dos nossos atletas, os esforços individuais de cada um para em busca do seu melhor em provas que podem levar segundos, mas que os marcarão para sempre. Assim são os esportes olímpicos. 

Time Brasil vive a expectativa agora da disputa dos Jogos Pan-Americanos em Lima, no Peru, com otimismo e ciente de que ter chegado em boa forma ao principal evento multiesportivo do ano pode ser considerado uma vitória. Time Brasil é como são chamados os representantes do País em competições de esportes olímpicos. Até porque o esporte brasileiro sofre com falta de recursos depois da "fartura" que antecedeu os Jogos Olímpicos de 2016, no País. Muito patrocinadores deixaram de investir, sejam estatais ou privados, e muitas confederações esportivas nacionais pedem ajuda com o pires na mão. 

A Petrobrás, por exemplo, decidiu que vai investir apenas R$ 9,8 milhões, como publicou o Estadão, até o fim de 2020 em 25 atletas. O número de patrocinados é o mesmo da primeira edição do projeto, lançado em 2015 às vésperas do Pan de Toronto, no Canadá, mas o investimento era mais do que o dobro do atual, de R$ 19,8 milhões. A redução faz parte de um plano de revisão da política de patrocínios da estatal, que atingiu todas as áreas, de esporte à cultura. O dinheiro é bem-vindo, mas ele é pequeno pela necessidade dos nossos atletas.

Claro que é preciso que as confederações nacionais façam um mea culpa nessa história, pois muitas não tiveram a seriedade necessária para lidar com os recursos e hoje sofrem com restrições de órgãos fiscalizadores ou passam por problemas jurídicos que afugentam possíveis parceiros. Uma hora a conta seria cobrada. Também estamos falando de má gestão. É o caso, por exemplo, da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), que, passando por uma grande crise financeira, chegou a instituir home office, conforme noticiado pelo Estadão, para seus funcionários para diminuir gastos. Atletas da seleção brasileira de nado sincronizado precisaram fazer "vaquinha" para comprar maiôs e acabaram socorridas pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).

Se fora dos ginásios, piscinas e arenas a situação não é das melhores, dentro existe uma luz no fim do túnel, principalmente graças aos recursos da Lei Piva, que repassa porcentagem das receiras das loterias federais ao COB. O comitê distribui parte do dinheiro às entidades e usa outro montante para financiar projetos e treinamentos de atletas. A estimativa da entidade é receber cerca de R$ 250 milhões dessa fonte, 11% a mais do que em 2018.

Ainda sob os efeitos do abalo de credibilidade sofrido em 2017 com a prisão do ex-presidente Carlos Arthur Nuzman, informado pelo Estadão em mais de uma reportagem. Ele foi acusado de envolvimento em um esquema de corrupção internacional de compra de votos para a escolha do Rio como sede da Olimpíada 2016, o COB precisou ir ao mercado em busca de novos patrocinadores e parceiros. A bem da verdade, no entanto, é que o esporte nacional ainda é muito dependente dos recursos das loterias federais.

E é nesse panorama que o Time Brasil tenta brilhar em Lima. Apesar de não ser considerado um evento do mesmo nível de uma Olimpíada, até porque os Estados Unidos, maior potência esportiva mundial, envia uma equipe de segundo escalão, o Pan é visto com muito carinho pelos atletas, patrocinadores e torcedores das Américas. Há 109 medalhistas olímpicos no Peru para os Jogos.

É o momento em que o competidor chama a atenção, principalmente com medalhas, e tem seus dias de glória em sua modalidade. Ganha-se esperança. Com uma delegação de 487 atletas, o Brasil espera repetir os bons desempenhos das edições anteriores e, quem sabe, superar os resultados obtidos no último ciclo, em Toronto, no Canadá.

Obviamente a tarefa não é simples, mas o Brasil chega a Lima com sete campeões olímpicos e outros medalhistas dispostos a liderar um grupo com muitos jovens e atletas com sede de mostrar serviço. O Estadão vem mostrando o trabalho de alguns desses atletas. Para eles, o caminho para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no próximo ano, começou faz muito tempo. Mas é em Lima que vão mostrar que já sabem o trajeto, que está sendo pavimentado com cada gota de suor. Nós contaremos essas histórias para vocês em capítulos. Este é a apenas o primeiro. /COM RAPHAEL RAMOS

Paulo Favero

Paulo Favero

Reporter

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.